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Artigo · Febre Amarela · 8 min de leitura

Febre amarela: sintomas, vacina e quem deve tomar

RaiRaisLife27 de janeiro de 2017 · atualizado em 3 de outubro de 2026
Frasco de vacina e seringa tampada sobre bandeja ao lado de uma planta

Em janeiro de 2017, quando este texto foi publicado pela primeira vez aqui no RaisLife, a notícia era um surto de febre amarela no leste de Minas Gerais. Parecia um problema distante para quem morava nas capitais. Não ficou distante por muito tempo: o vírus avançou pelos estados do Sudeste e, entre 2017 e 2018, chegou à região metropolitana de São Paulo. Foi o maior surto de febre amarela das Américas neste século, segundo um estudo publicado em 2019 na revista Scientific Reports.

Em 2025, a doença voltou a preocupar a América Latina, com casos no Brasil, na Bolívia, na Colômbia e no Peru, quase sempre em pessoas sem vacina que viviam perto da mata.

Muita coisa mudou desde então, principalmente na vacina. Vale atualizar a conversa: quais são os sintomas da febre amarela, quem deve se vacinar e o que fazer se a febre aparecer?

Resposta rápida: a febre amarela começa de repente, com febre, calafrios, dor de cabeça forte, dores no corpo, náuseas e fraqueza. A maioria melhora, mas cerca de 15% das pessoas evoluem para a forma grave. A prevenção principal é a vacina, oferecida de graça pelo SUS em todo o país: para quem tem 5 anos ou mais, uma dose vale para a vida toda.

O que é a febre amarela e como ela é transmitida?

É uma doença infecciosa aguda causada por um vírus transmitido pela picada de mosquitos infectados. Não passa de uma pessoa para outra: ninguém pega febre amarela por conviver, abraçar ou cuidar de alguém doente.

O Ministério da Saúde descreve dois ciclos de transmissão:

  • Silvestre: acontece na mata, com mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os macacos são os principais hospedeiros do vírus, e o ser humano entra nesse ciclo por acidente, quando vai a áreas de mata ou mora perto delas.
  • Urbano: o transmissor seria o Aedes aegypti, o mesmo mosquito da dengue, da zika e da chikungunya. No Brasil, os últimos casos de febre amarela urbana foram registrados em 1942. Todos os casos confirmados desde então vieram do ciclo silvestre.

Os macacos não transmitem a doença. Eles adoecem como nós e servem de sentinela: macacos mortos indicam que o vírus pode estar por perto. Se encontrar algum, avise a vigilância em saúde do seu município.

Quais são os sintomas da febre amarela?

Os sintomas costumam aparecer de 3 a 6 dias depois da picada do mosquito infectado, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse intervalo é o chamado período de incubação. Os sinais iniciais listados pelo Ministério da Saúde são:

  • febre de início súbito;
  • calafrios;
  • dor de cabeça intensa;
  • dores nas costas e no corpo em geral;
  • náuseas e vômitos;
  • cansaço e fraqueza.

Muita gente tem uma forma leve, parecida com uma virose comum. O problema é que o começo não mostra quem vai piorar.

Quais são os sinais de alerta da forma grave?

Cerca de 15% das pessoas infectadas passam por um período curto, de algumas horas a um dia, em que parecem melhorar. Depois, a doença volta mais forte. Os sinais dessa fase são:

  • febre alta que retorna;
  • pele e olhos amarelados (icterícia), que dão nome à doença;
  • vômitos;
  • sangramentos pela boca, pelo nariz, pelos olhos ou pelo estômago.

Na forma grave, o fígado, os rins e outros órgãos podem falhar, e a pessoa pode entrar em choque. O Ministério da Saúde estima que de 20% a 50% de quem desenvolve a forma grave morre. Por isso a "melhora" depois de alguns dias de febre não deve tranquilizar quem esteve em área de risco.

Como é feito o diagnóstico e qual é o tratamento?

No começo, a febre amarela se parece com dengue, malária, leptospirose e hepatites. O médico junta os sintomas com a sua história (onde esteve, picadas, macacos mortos na região, vacina) e confirma com exames de sangue: nos primeiros dias, o RT-PCR procura o material genético do vírus; mais tarde, outros testes procuram os anticorpos.

Não existe um remédio que mate o vírus da febre amarela. O tratamento é de suporte: repouso, hidratação e acompanhamento de perto, em hospital quando necessário. Os casos graves vão para a UTI. Remédios por conta própria são um risco: o Ministério da Saúde alerta que o ácido acetilsalicílico (AAS, a aspirina) deve ser evitado, porque pode favorecer sangramentos. Qualquer medicação deve ser indicada pelo médico.

Todo caso suspeito deve ser notificado às autoridades de saúde em até 24 horas.

Como funciona a vacina contra a febre amarela hoje?

Aqui está a maior mudança desde o texto original. Quando este texto saiu, o esquema ainda não era de dose única. Desde abril de 2017, o Brasil adota a dose única para a vida toda, seguindo a recomendação da OMS. A OMS afirma que uma dose protege por toda a vida e que não é preciso reforço.

A vacina usa o vírus vivo enfraquecido e está disponível o ano inteiro nos postos, sem custo. Segundo o Ministério da Saúde, ela gera proteção em 95% a 99% dos adultos vacinados e em cerca de 90% das crianças pequenas.

O Calendário Nacional de Vacinação atual prevê:

  • 9 meses: primeira dose.
  • 4 anos: uma dose de reforço. Quem se vacinou antes dos 5 anos recebe mais uma.
  • A partir de 5 anos, adolescentes e adultos até 59 anos: uma dose para quem nunca se vacinou ou não tem comprovante. Quem já tomou uma dose depois dos 5 anos está protegido e não precisa repetir.
  • 60 anos ou mais: só para quem nunca se vacinou e tem alto risco de contrair a doença (mora ou vai viajar para área com circulação do vírus), depois de avaliação no serviço de saúde.
  • Bebês de 6 a 8 meses: apenas em casos excepcionais, como viagem inadiável para área com circulação do vírus, com avaliação de risco e benefício.

Se você tomou a chamada dose fracionada nas campanhas de 2018, o calendário recomenda uma nova dose em situações de risco, conforme avaliação do serviço de saúde. Leve sua caderneta ao posto para conferir.

Onde a vacina é recomendada?

Desde 2020, o Ministério da Saúde ampliou a vacinação de forma gradual para todo o território nacional, incluindo 1.101 municípios do Nordeste que não estavam na área de recomendação. A vacina está na rotina de todos os municípios, com ênfase em quem mora ou vai para regiões com circulação confirmada do vírus (casos humanos, macacos mortos pela doença ou mosquitos infectados).

Vai viajar? Na primeira vacinação, tome a dose pelo menos 10 dias antes, tempo para a proteção se formar. Alguns países exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP).

Quem não deve tomar a vacina, ou precisa de avaliação antes?

Como é feita com vírus vivo, a vacina não é para todos. A OMS lista como situações em que ela não é recomendada: bebês com menos de 9 meses (fora as exceções acima), gestantes (salvo em surtos, com avaliação), pessoas com alergia grave a ovo, pessoas com imunidade muito baixa e quem tem doenças do timo. Acima de 60 anos, a decisão pesa risco e benefício. O Ministério da Saúde também não indica a vacina para quem amamenta bebê com menos de 6 meses, salvo avaliação. Quem usa remédios que baixam a imunidade ou tem doença crônica deve conversar antes com o médico ou com a equipe do posto.

Reações graves são raras: no Brasil, entre 2000 e 2015, foram cerca de 0,3 caso para cada 100 mil doses aplicadas, segundo o Ministério da Saúde.

Além da vacina, o que ajuda a prevenir?

Em trilhas, sítios e áreas rurais, valem roupas de manga comprida, calça e repelente adequado à idade. Para bebês menores de 9 meses, que ainda não tomam a vacina, o Ministério recomenda repelente conforme a faixa etária indicada no produto, mosquiteiro e ambientes protegidos.

Na cidade, o cuidado é o mesmo da dengue: nada de água parada em vasos, pneus e calhas, caixas d'água tampadas e lixo fechado.

Quando procurar um médico

Procure uma unidade de saúde logo que surgir febre de início súbito, com ou sem dor de cabeça forte, dores no corpo e vômitos, se você esteve em área de mata ou em região com circulação do vírus nos 15 dias anteriores. Conte onde esteve e se é vacinado.

Vá ao pronto-socorro imediatamente se aparecerem olhos ou pele amarelados, sangramentos, vômitos que não param ou fraqueza intensa. O atendimento inicial é feito por clínico geral ou médico da emergência; casos confirmados costumam ser acompanhados por infectologista.

Conclusão: a lição do surto que parecia distante

Em 2017, a febre amarela parecia um assunto do interior de Minas. Em poucos meses, estava na porta de grandes cidades. A lição daquele surto, repetida em 2025, é que o vírus continua na mata e que a proteção mais simples está no posto de saúde.

Abra sua caderneta. Se não encontra o registro ou nunca se vacinou, procure o posto de saúde mais próximo, principalmente antes de uma viagem.

Perguntas frequentes

Quem tomou a vacina há mais de 10 anos precisa de reforço?

Não, se a dose foi tomada a partir dos 5 anos de idade. Desde 2017, uma dose vale para a vida toda. Quem só tomou antes dos 5 anos deve receber mais uma.

Referências

  • Ministério da Saúde. Febre amarela. gov.br/saude
  • Ministério da Saúde. Febre amarela: sintomas. gov.br/saude
  • Ministério da Saúde. Febre amarela: prevenção. gov.br/saude
  • Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. gov.br/saude
  • Ministério da Saúde. Vacinação para os viajantes. gov.br/saude
  • Organização Mundial da Saúde. Yellow fever (fact sheet). who.int
  • Cunha MDP et al. Origin of the São Paulo Yellow Fever epidemic of 2017-2018 revealed through molecular epidemiological analysis of fatal cases. Scientific Reports, 2019. doi.org
  • Ortiz-Prado E et al. Yellow fever in Latin America and the escalating risks in a changing eco-epidemiological landscape: a review. Lancet Regional Health Americas, 2026. doi.org

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para avaliar o seu caso, converse com um médico, de preferência um especialista na área.

Informações conferidas com as fontes citadas · Última revisão: outubro de 2026.

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