
Renan Santos, pastores e o voto evangélico
O pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) passou a questionar em público o peso de grandes líderes evangélicos na escolha dos candidatos da direita. Em vídeo divulgado no fim de abril de 2026, ele argumentou que o campo conservador pode crescer sem depender da aprovação desses líderes. A fala tocou num dos pontos mais sensíveis da política brasileira: a relação entre igrejas, voto e poder.
O contexto ajuda a entender o tamanho da aposta. Na mesma época, pastores influentes se aproximavam da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), e a disputa pelo eleitor evangélico era uma das mais acompanhadas da pré-campanha.
O que Renan disse
No vídeo, Renan separou duas coisas: o eleitor evangélico, com quem diz querer conversar, e o que chamou de mediação política feita por líderes religiosos, que funcionaria como um filtro para quem quer ser reconhecido como candidato da direita. Para ele, essa mediação virou um mecanismo de controle eleitoral. O candidato não citou dados para sustentar a tese; a fala é uma avaliação política dele.
A crítica conversa com outro alvo frequente de Renan: o próprio bolsonarismo. Em entrevista ao portal ND Mais publicada em 24 de abril, ele chamou Jair Bolsonaro de "corrupto" e atacou o Supremo Tribunal Federal. O fundador do MBL tenta se apresentar como uma direita que não depende do ex-presidente nem dos aliados religiosos dele.
Como estava o voto evangélico
Em março, a Folha de S.Paulo publicou reportagem sobre evangélicos que apoiavam o governador Tarcísio de Freitas e poderiam migrar para o MBL depois que ele desistiu de concorrer ao Planalto. Em 16 de abril, o mesmo jornal informou que pastores passaram a apoiar Flávio Bolsonaro, "mas mantêm pé atrás".
Os meses seguintes mostraram um quadro dividido. Em junho, o antropólogo Juliano Spyer, em artigo de opinião na Folha, avaliou que parte desse eleitorado começava a migrar para Lula e para Renan. Em 3 de outubro, a BBC News Brasil publicou reportagem sobre por que a Assembleia de Deus Ministério Madureira rejeita Flávio Bolsonaro.
O outro lado
Líderes evangélicos alinhados ao bolsonarismo não aceitam a ideia de tutela sobre o voto. O pastor Silas Malafaia, um dos mais conhecidos do país, defendeu publicamente Flávio Bolsonaro durante a campanha, segundo o portal Terra (26 de agosto).
Por que o tema importa
Os evangélicos estão entre os maiores segmentos do eleitorado,.
O que vem a seguir
O primeiro turno da eleição presidencial será em 4 de outubro de 2026. O resultado por segmento religioso só poderá ser estimado pelas pesquisas de boca de urna e pelos levantamentos feitos depois do pleito.
Referências
- Folha de S.Paulo. Evangélicos pró-Tarcísio podem trocar Flávio Bolsonaro pelo MBL? (16/03/2026).
- Folha de S.Paulo. Sem Tarcísio, pastores migram para candidatura de Flávio Bolsonaro, mas mantêm pé atrás (16/04/2026).
- ND Mais. Entrevista: Renan Santos ataca STF, chama Bolsonaro de "corrupto" e propõe corte trilionário (24/04/2026).
- Folha de S.Paulo (opinião, Juliano Spyer). Evangélicos abandonam Flávio Bolsonaro e migram para Lula e Renan (15/06/2026).
- Terra. Silas Malafaia solta o verbo e defende Flávio Bolsonaro (26/08/2026).
- BBC News Brasil. Por que a Assembleia de Deus Ministério Madureira rejeita Flávio Bolsonaro (03/10/2026).
- Vídeo original: YouTube.
Texto informativo, com informações conferidas com as fontes citadas. Publicado originalmente em 29 de abril de 2026; revisado em outubro de 2026.
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