Drogas falsas matam mais de 250 mil crianças por ano, alertam médicos

Por meio do The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, médicos do governo dos EUA, de grandes universidades, de hospitais e também de empresas farmacêuticas alertam que o aumento de “medicamentos falsificados e abaixo do padrão” se tornou uma “emergência de saúde pública”.
Em pronunciamento, os profissionais da saúde pedem um esforço internacional urgente para combater uma “pandemia de drogas ruins”. Como exemplo da situação, em 2018, a empresa farmacêutica Pfizer, uma das integrantes do grande estudo, identificou 95 de seus medicamentos sendo falsificados em 113 nações.
Principalmente nos países do terceiro mundo, foi reportado grandes quantidades de medicamentos distribuídos. Cópias falsas e ineficazes de uma vasta gama de drogas, incluindo antimaláricos, antibióticos, medicamentos cardiovasculares e oncológicos, que segundo dados e pesquisas, já são responsáveis pela morte de cerca de 250 mil crianças por ano. Drogas relacionadas ao estilo de vida, como o Viagra, por exemplo, são as que dominam o mercado de falsificações.
Muitas dessas falsificações são originárias da China e da Índia. A maioria dos casos de morte ocorre em países onde há a combinação de alta demanda por drogas com a falta de vigilância, de controle de qualidade e de regulamentações sérias por parte dos governos.
Isso acaba por facilitar a infiltração de gangues e cartéis farmacêuticos criminosos no mercado, que, quando pegos, muitas vezes enfrentam apenas multas ou pequenas sentenças.

Além das falsificações, há ainda medicamentos de baixa qualidade, que não possuem ingredientes ativos suficientes para funcionar ou não se dissolvem corretamente quando tomados. Acaba sendo o mesmo que ingerir um placebo.
Ainda há outros problemas graves que vão além da fabricação negligente: medicamentos que são vendidos fora do prazo de validade ou já degradados por condições de armazenamento precárias.
De acordo com o relatório realizado pelos pesquisadores, cerca de 10% dos medicamentos vendidos em países de baixa e média renda são de má qualidade ou são falsificações, custando para as economias locais entre US$ 10 bilhões e US$ 200 bilhões por ano.
Mas o problema não para por aí, e infelizmente só piora: em 2008, a empresa farmacêutica Pfizer identificou 29 dos seus medicamentos sendo falsificados em 75 países, e em 2018, esse número chegou a 95 produtos em 113 nações.
O que fazer daqui para frente
Junto à denúncia, diretrizes sobre como lidar com o problema foram apresentados pelos médicos. Entre elas, a principal é a elaboração de um tratado global que regule a qualidade das drogas, além de ajudar e regular o julgamento de crimes desse âmbito.
Os médicos também pedem um maior apoio ao programa de vigilância de medicamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS), e a atualização das metas de desenvolvimento sustentável da ONU, nas quais os governos assegurariam que pelo menos 90% dos medicamentos em seus países sejam comprovadamente de alta qualidade.
Por último, os médicos pedem que os registros de medicamentos falsificados encontrados em campo sejam abertos ao público, para que possíveis ligações entre criminosos sejam detectadas.
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Com informações Revista Super Interessante
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