Moro, a domiciliar de Bolsonaro e o STF

Ao lançar sua pré-candidatura ao governo do Paraná, em 24 de março de 2026, o senador Sergio Moro (PL-PR) disse esperar que o ex-presidente Jair Bolsonaro fosse para a prisão domiciliar por uma "questão de justiça", segundo o Poder360. Três dias depois, em 27 de março, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu a Bolsonaro prisão domiciliar humanitária por 90 dias.
O caso de Bolsonaro é só uma parte de uma crítica mais ampla que Moro vem fazendo ao Supremo desde o início do ano, em colunas e discursos. A seguir, o que foi decidido, o que Moro escreveu e o que respondeu o ministro Alexandre de Moraes.
O que Moraes decidiu
Bolsonaro estava internado em Brasília para tratar uma pneumonia e foi levado do hospital para casa em 27 de março. Na decisão, Moraes escreveu que, segundo a literatura médica, a recuperação dos dois pulmões de um idoso pode levar de 45 a 90 dias, e que depois desse prazo a manutenção da domiciliar seria reavaliada, com perícia se necessário, segundo o Poder360.
A decisão fixou regras: uso de tornozeleira, visitas dos filhos nos mesmos dias e horários do presídio, proibição de celular, de redes sociais e de divulgação de fotos e vídeos. A defesa havia alegado risco clínico e necessidade de acompanhamento médico contínuo.
A crítica de Moro ao Supremo
Antes da domiciliar, Moro já tinha escrito sobre o STF. Na coluna "Limites para o STF", publicada na Gazeta do Povo em 19 de janeiro de 2026, ele afirmou que o país vive "uma aberração jurídica" e que os ministros "pairam acima da lei, sem responsabilidades". No mesmo texto, disse que o tribunal falhou "ao fazer retroceder o combate à corrupção quando soltou Lula e desmantelou a Lava Jato".
A coluna também trazia propostas. Moro defendeu que a corte adote o código de ética proposto pelo presidente do STF, Edson Fachin, e citou como oportunas reformas para fixar mandatos e mudar os critérios de nomeação dos ministros. Em fevereiro, sugeriu estudar o recall popular aplicado aos juízes da Suprema Corte do Japão. Em março, escreveu que as CPIs do INSS e do Crime Organizado estavam sendo prejudicadas por decisões do STF.
Em 27 de abril, Moro foi retirado da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado antes da sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula ao STF. Ele chamou a troca de "manobra lamentável" e disse que votaria contra no plenário, segundo o Poder360.
Uma linha comum entre candidatos
Levantamento do Poder360 publicado em 25 de abril mostrou que 10 dos 12 pré-candidatos à Presidência já tinham se manifestado contra a atuação do STF ou de seus ministros em 2026.
O que diz o outro lado
Em 28 de abril, Moraes reagiu às críticas de pré-candidatos. Disse que "candidaturas sem viabilidade eleitoral" usam ataques ao STF como "escada eleitoral" e que esses políticos deveriam discutir saúde, educação e segurança em vez de partir para "agressões verbais", segundo o Poder360. Segundo o jornal, a fala parecia dirigida ao pré-candidato Romeu Zema (Novo), que vinha publicando vídeos satíricos sobre ministros.
O que vem a seguir
Moro disputa o governo do Paraná pelo PL. Na coluna de janeiro, ele escreveu que mudanças no STF seriam tema das eleições de 2026.
Referências
- Poder360, 24/03/2026: discurso de Moro na filiação ao PL
- Poder360, 12/04/2026: decisão de Moraes sobre a domiciliar de Bolsonaro
- Gazeta do Povo, 19/01/2026: coluna "Limites para o STF", de Sergio Moro
- Gazeta do Povo, 02/02/2026: coluna sobre recall popular no STF
- Gazeta do Povo, 13/03/2026: coluna sobre as CPIs
- Poder360, 27/04/2026: Tirado da CCJ, Moro diz que governo teme sabatina de Messias
- Poder360, 25/04/2026: 10 dos 12 pré-candidatos já se manifestaram contra o STF
- Poder360, 28/04/2026: Moraes vê "escada eleitoral" em críticas ao STF
Texto informativo, com informações conferidas com as fontes citadas. Publicado originalmente em 24 de abril de 2026; revisado em outubro de 2026.
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