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Artigo · Saúde de A-Z · 6 min de leitura

Dengue: sintomas e sinais de alarme

RaiRaisLife25 de novembro de 2016 · atualizado em 3 de outubro de 2026
Prato de vaso virado e barril tampado em um jardim, sem água parada

Em 2024, o Brasil viveu a pior temporada de dengue já registrada. O ano fechou com mais de 6,5 milhões de casos prováveis, o maior número da série histórica, e mais de 5.800 mortes confirmadas, quase cinco vezes o total de 2023.

Por trás desses números havia uma cena que se repetiu em muitas casas: alguém com febre alta e dor no corpo, que melhorava depois de alguns dias e achava que o pior tinha passado. Só que, na dengue, é justamente quando a febre vai embora que alguns sinais de perigo podem aparecer.

Então, como reconhecer a dengue e, principalmente, como saber a hora de correr para o atendimento?

Resposta rápida: a dengue costuma começar com febre alta, dor de cabeça ou atrás dos olhos, dor no corpo e nas articulações, enjoo e manchas vermelhas. Dor forte na barriga, vômitos frequentes, tontura, falta de ar ou sangramento são sinais de alarme e pedem atendimento imediato.

Quais são os sintomas da dengue?

A dengue é causada por um vírus transmitido principalmente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sintomas costumam surgir de 4 a 10 dias depois da picada e duram de 2 a 7 dias.

Os mais comuns, de acordo com o Ministério da Saúde, são:

  • febre alta, de início repentino;
  • dor de cabeça e dor atrás dos olhos;
  • dor nas articulações e no corpo;
  • enjoo e moleza;
  • manchas vermelhas na pele.

Muita gente tem a forma leve e se recupera em casa. Mesmo assim, quem tem esses sintomas deve procurar uma unidade de saúde para ser avaliado, e não tentar resolver sozinho.

Quais são os sinais de alarme da dengue?

Os sinais de alarme mostram que a doença pode estar evoluindo para a forma grave. O Ministério da Saúde lista estes:

  • dor intensa na barriga;
  • vômitos frequentes;
  • tontura ou sensação de desmaio;
  • dificuldade para respirar;
  • sangramento no nariz, na gengiva ou nas fezes;
  • cansaço ou irritabilidade.

Um detalhe engana muita gente. A OMS explica que os sintomas da dengue grave costumam aparecer depois que a febre passa. Por isso, sentir-se sem febre não quer dizer que o risco acabou: os dias seguintes merecem atenção.

Por que não tomar anti-inflamatório nem AAS na suspeita de dengue?

Esse é um dos recados mais importantes. Na suspeita de dengue, a orientação oficial é não usar anti-inflamatórios nem ácido acetilsalicílico (AAS). A OMS recomenda evitar remédios como ibuprofeno e AAS, porque eles aumentam o risco de sangramento.

O Ministério da Saúde também reforça: não se automedique. Quem decide o que pode ser usado para aliviar os sintomas é o profissional que fez a avaliação.

Como é o cuidado com a dengue?

Não existe um remédio que mate o vírus da dengue. O cuidado se apoia em repouso e, sobretudo, na reposição adequada de líquidos, conforme a orientação recebida na unidade de saúde. A quantidade e a forma de hidratação dependem de cada caso, e é por isso que a avaliação inicial importa tanto.

Quem já teve dengue pode pegar de novo, porque existem quatro tipos do vírus. E a OMS lembra que uma segunda infecção aumenta o risco da forma grave.

Existe vacina contra a dengue no SUS?

Sim. A Qdenga entrou no SUS em fevereiro de 2024 e hoje é aplicada em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em duas doses com intervalo de três meses, nas unidades básicas de saúde. Ela segue disponível normalmente.

A vacina brasileira do Instituto Butantan, a Butantan-DV, de dose única, teve o registro publicado pela Anvisa em dezembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos. A aplicação no SUS começou em janeiro de 2026, com um projeto piloto em três cidades, e depois chegou aos profissionais da atenção primária. Em 8 de junho de 2026, o Ministério da Saúde suspendeu temporariamente essa estratégia, por precaução, depois do registro de eventos raros e inesperados, e a Anvisa montou um grupo de especialistas para investigar. Até a data desta revisão, a aplicação seguia suspensa, sem prazo anunciado para a retomada. Quem já tomou deve ficar atento à saúde nas semanas seguintes e procurar atendimento se tiver sintomas como febre, dor forte na barriga, vômitos ou sangramento.

Vacina não substitui o combate ao mosquito: eliminar água parada em vasos, pneus, calhas e caixas d'água continua sendo a principal forma de prevenção.

Quando procurar um médico

Com febre alta e os sintomas descritos acima, procure uma unidade de saúde para avaliação. Se aparecer qualquer sinal de alarme (dor intensa na barriga, vômitos frequentes, tontura ou desmaio, falta de ar ou sangramento), busque atendimento imediato, mesmo que a febre já tenha passado. Gestantes, bebês, idosos e pessoas com doenças crônicas merecem atenção redobrada desde o início.

Conclusão: a febre passar não é o fim da história

Na epidemia de 2024, muitas pessoas descobriram da forma mais difícil que a dengue pode piorar justamente quando parece ir embora. Conhecer os sinais de alarme é o que permite chegar a tempo ao atendimento.

O recado é simples: com suspeita de dengue, procure avaliação, beba líquidos conforme a orientação recebida, não use anti-inflamatórios nem AAS e fique de olho nos dias depois da febre.

Perguntas frequentes

Quanto tempo depois da picada aparecem os sintomas?

Em geral de 4 a 10 dias, segundo a OMS.

Dá para ter dengue mais de uma vez?

Sim. Há quatro tipos de vírus, e uma nova infecção pode ser mais grave.

Posso tomar qualquer remédio para a dor?

Não. Anti-inflamatórios e AAS devem ser evitados. Pergunte ao profissional que avaliou você o que pode ser usado.

Referências

  • Ministério da Saúde. Dengue. gov.br/saude
  • Organização Mundial da Saúde. Dengue and severe dengue (fact sheet). who.int
  • Ministério da Saúde. Ministério da Saúde inicia estratégia piloto de vacinação contra a dengue com imunizante 100% nacional, janeiro de 2026. gov.br/saude
  • Ministério da Saúde. Ministério da Saúde descontinua temporariamente estratégia atual de vacinação do Butantan contra dengue, junho de 2026. gov.br/saude
  • Ministério da Saúde. Ministério da Saúde inicia vacinação de 1,2 milhão de profissionais de saúde contra a dengue em todos os estados, fevereiro de 2026. gov.br/saude
  • Agência Brasil. Anvisa publica registro da vacina contra a dengue do Butantan, dezembro de 2025. agenciabrasil.ebc.com.br
  • Agência Brasil. Brasil tem mais de 6,5 milhões de casos prováveis de dengue este ano, dezembro de 2024. agenciabrasil.ebc.com.br
  • Cofen. Saiba como fica a vacinação contra dengue após suspensão temporária da Butantan-DV, junho de 2026. cofen.gov.br

Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para avaliar o seu caso, converse com um médico, de preferência um especialista na área.

Informações conferidas com as fontes citadas · Última revisão: outubro de 2026.

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