Aprenda sobre a gestante com Êmese!

Entenda um pouco mais sobre Náuseas e vômitos na gestação (ou êmese) e como amenizar estes sintomas.

07/04/2019

A prevalência de náuseas e de vômitos na gestação é calculada em torno de 85%, sendo que em 25% dos casos observa-se exclusivamente o quadro de náusea matinal (morning sickness), e, no restante das gestantes, diversos graus de êmese associado à náusea.

O período de incidência entre 5 e 9 semana ocorre em mais de 90% das gestações, reduzindo progressivamente e tornando-se ocasional além de 20 semanas. Os quadros tardios devem ser reavaliados para confirmar se realmente trata-se de NVG.

Segundo a FEBRASGO, o conceito de náuseas e de vômitos da grávida (NVG) é semelhante àquele que se utiliza em qualquer área médica, ou seja, o vômito ou êmese é a expulsão do conteúdo gástrico pela boca, causada por contração forte e sustentada da musculatura da parede torácica e abdominal.

A náusea é definida como sendo a sensação desagradável da necessidade de vomitar, habitualmente acompanhada de sintomas autonômicos como sudorese fria, sialorreia, hipotonia gástrica e refluxo do conteúdo intestinal para o estomago.

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A evolução do quadro de NVG com necessidade de tratamento farmacológico situa-se em torno de 10% das gestações. Por sua vez, os quadros mais graves de vômitos nas gestantes, denominados de hiperêmese gravídica, respondem por 1,1% de todos os quadros de NVG.

Etiologia

A etiologia da êmese e da hiperêmese gravídicas ainda é muito discutida e não existe um consenso. Existes várias teorias para explica-las, como: teoria da infecção do Helicobacter pylori, teoria genética, teoria psicogênica e a mais aceita atualmente, a teoria endócrina (O aparecimento da gonadotrofina coriônica e o aumento do estrogênio e da proges- terona durante a gravidez apresentam potencialidades diretas ou indiretas responsáveis por causarem náuseas).

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Diagnósticos Diferenciais

Após anamnese, exame físico e exames complementares, que nos permite excluir os diagnósticos diferenciais evocados, devemos partir para a classificação da gravidade da doença e para o tratamento.

Classificação à Determinação da gravidade da NVG. Escore de PUQE (Pregnancy Unique Quantification of Emesis)

1 – Por quanto tempo se sentiu nauseada nas últimas 24 horas?
Nunca(1)  –Até 4 horas (2) – Até 8 horas (3) – Até 12 horas (4) -> de 12 horas (5)
2 – Quantos episódios de vômitos apresentou nas últimas 24 horas?
Nenhum (1) – Um episódio (2) – Até 3 episódios (3) Até 4 episódios (4) – mais de cinco (5)
3 – Quantos momentos observou intensa salivação e esforço de vômito nas últimas 24 horas?
Nenhum (1) – Até 3 vezes (2) – Até 5 vezes (3) – Até 8 vezes (4) –Todo tempo (5)
Classificação – Pontuação ≤6 forma Leve; entre 7 e 11 forma moderada; ≥ 12 forma grave.

Fonte: Adaptado de Koren G, et al. 2005.

Tratamento

Dependendo da intensidade do quadro, a grande maioria dos casos é tratada em regime ambulatorial. As possibilidades de tratamento para mulheres portadoras de NVG podem ser divididas em farmacológicas e não farmacológicas.

Abordagem Não Farmacológico:

  • Apoio Psicoemocional
  • Medidas alimentares e mudanças nutricionais;
  • Terapias não convencionais ou complementares.

Abordagem Farmacológica:

  • Ondansetrona: Todos os estudos comparativos entre os antieméticos mostram uma superioridade de ação da ondansetrona tanto nos casos mais leves como nos mais graves sobre os demais grupos farmacológicos. Por ser um bloqueador seletivo dos receptores da serotonina (5-HT3), evita o bloqueio adicional sobre receptores de outros neurotransmissores (dopamina, acetilcolina, histamina).
  • Metoclopramida: Trata-se de um procinético que promove o bloqueio dos receptores de dopamina e de serotonina (5-HT2).
  • Anti-histaminicos (dimenidrato, meclizina, prometazina): Constitui um grupo farmacológico que atua realizando o bloqueio do receptor H1 da histamina. Promove eficiente efeito antiemético nas formas moderadas de NVG. Tem como efeito colateral mais evidente a sonolência.
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Nas formas leves das náuseas e vômitos da gestante (≤ 6 do escore de PUQE), as medidas não farmacológicas e farmacológicas por via oral apresentam bons resultados rapidamente e o tratamento deve ser ambulatorial.

Nas formas moderadas e graves do quadro de NVG (> 6 do escore de PUQE), a gestante deve ser abordada de maneira multidisciplinar em ambiente hospitalar. Após adotadas as medidas terapêuticas, espera-se que em 24 horas cessem os vômitos e o escore de PUQE revele uma pontuação compatível com a forma leve do quadro.

Caso isto não ocorra, é indicada uma reavaliação da gestante (dosagem de ACTH, cortisol plasmático, provas de função hepática, transaminases, amilase, hormônios tiroidianos, fundoscopia, entre outros). Deve-se aproveitar também para analisar ionograma, perda ponderal e o estado de hidratação materna.

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Texto publicado originalmente no blog Paciente 360. Direitos autorais reservados a Paciente 360

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