O câncer de próstata e a sua nova graduação.

Como você vai falar com o seu urologista daqui para frente sobre o câncer de próstata?

 A medicina é uma ciência que está em constante transformação.  Os tratamentos evoluem, novas drogas aparecem e sempre o beneficiado é o paciente.  A urologia, mais especificamente o tratamento das neoplasias urológicas, tem destaque nesse contexto e chegou a vez desta evolução com o câncer de próstata e a sua nova graduação.

A produção científica no campo da urologia é muito grande e tem destaque na comunidade médica. Urologistas, oncologistas, tem juntado esforços para entender melhor a dinâmica do câncer urológico.

O câncer de próstata é o assunto mais abordado nos últimos anos e vem sofrendo constantes transformações. Isso considerando tanto as opções terapêuticas quanto no seu diagnóstico e seguimento.

Quem deve se preocupar com o câncer de próstata?

Homens com mais de 55 anos devem fazer consultas regulares com seu urologista.

Homens com mais de 55 anos devem fazer consultas regulares com seu urologista.

Sabemos que todos os homens com mais de 55 anos devem fazer consultas regulares com seu urologista e tentar, através de exames periódicos de sangue e clínicos, a detecção precoce da neoplasia prostática. A neoplasia da próstata está diretamente relacionada com a idade.

Mais de 70% dos homens acima dos 80 anos podem ter câncer de próstata. Além disso, o fator familiar tem um peso muito grande nesse contexto. Pessoas que tem familiares de primeiro grau com câncer de próstata tem aumentos significativos no seu risco de desenvolver a doença, justificando assim a indicação de exames preventivos mais precoces.

Entretanto a neoplasia da próstata é indolente, ou seja, tem taxas de crescimento pequenas quando comparadas a outros tipos de tumores. Tanto é verdade que há uma corrente de especialistas que no primeiro diagnóstico de tumores de baixo grau tendem a “observar” o comportamento da neoplasia para depois tomar uma conduta, muitas vezes mais conservadora.

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Como é classificado um tumor na próstata? A escala Gleason.

O câncer de próstata é diagnosticado por um médico patologista e a classificação do tumor é baseada em na escala de Gleason.

O câncer de próstata é diagnosticado por um médico patologista e a classificação do tumor é baseada em na escala de Gleason.

O câncer de próstata é diagnosticado por um médico patologista. A classificação do tumor é baseada em na escala de Gleason. Donald Gleason foi um patologista americano da Universidade de Indiana que na década de 70 começou a observar o comportamento das neoplasias prostáticas.

Ele percebeu que tumores que tem comportamentos agressivos tem menos formação de glândulas, ou seja, são menos diferenciados (menos parecidos com o tecido original). Ele agrupou a diferenciação tumoral em 5 níveis (1,2,3,4 ou 5). Sendo o grau 1 o tumor mais parecido com o tecido normal e o grau 5 menos parecido e com pior prognóstico.

O médico patologista deve avaliar por ordem de frequência os dois níveis mais predominantes. A somatória desses dois grupos dá o Escore de Gleason. O Escore de Gleason pode variar de 2 a 10. Quanto maior o Escore de Gleason pior são as características daquela neoplasia.

Desde então, o Escore de Gleason foi objeto de milhares de estudos. O Escore de Gleason está submetido ao ISUP (International Society of Urologic Pathology), um grupo de experts no assunto que se reúnem a cada 10 anos para discutirem mudanças, observações e tendências acerca do Escore de Gleason e dos tumores de próstata.

O câncer de próstata e a sua nova graduação: Uma nova e mais clara maneira de classificá-lo.

Grupos de pacientes que tem Escore de Gleason 6, 7, 8, 9 e 10 ganharam um novo rótulo, o ISUP 1,2,3,4 e 5.

Grupos de pacientes que tem Escore de Gleason 6, 7, 8, 9 e 10 ganharam um novo rótulo, o ISUP 1,2,3,4 e 5.

Sabemos  que tumores que tem o Escore de Gleason 6 tem comportamento indolente, com taxas e crescimento pequenas e pouca capacidade de formar metástases. Mas como explicar ao seu paciente que “se o Escore vai de 2 a 10, como meu tumor que tem escore 6 terá um comportamento melhor?”. “Já estou no meio do caminho doutor!” qualquer um poderia ter essa indagação.

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Com o objetivo de diminuir esta angustia a ISUP em reunião realizada em Outubro de 2014, em Chicago fez uma nova proposta. Uma conferência de médicos urologistas, patologistas, radiologista se reuniram na tentativa de tentar diminuir a ansiedade dos pacientes e facilitar a explicação que os médicos darão aos seus pacientes e familiares.

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Um estudo observacional realizado no Hospital Johns Hopkins nos Estados Unidos, separou em grupos os pacientes que tem Escore de Gleason 6, 7, 8, 9 e 10.  Esses grupos ganharam um novo rótulo, o ISUP 1,2,3,4 e 5. Foi observado que pacientes que tem o grau ISUP-1 tem neoplasias com comportamentos “benignos” enquanto que neoplasias com o grau ISUP-5 tem piores prognósticos, taxas de sobrevidas piores e demandam atitudes mais drásticas.

O ISUP irá facilitar o entendimento sobre a gravidade da doença e a complexidade de tratamento e cura.

As possibilidades são infinitas e a produção científica irá crescer exponencialmente nos próximos anos.

As possibilidades são infinitas e a produção científica irá crescer exponencialmente nos próximos anos.

Com essa nova classificação a comunidade médica terá melhores possibilidades para explicar ao seu paciente pontos importantes. Exemplos destes pontos são assuntos como a neoplasia se comportará e quais as opções o paciente e seus familiares poderão ter.

Assim dessa forma a comunicação será mais adequada, mais direta e de mais fácil entendimento. Em um momento tão tenso quanto uma consulta de informe de um diagnóstico de câncer, esta tratativa é muito importante.

Pacientes que tem o grau de ISUP-1 podem ser informados de forma mais prática que a sua neoplasia é mais indolente e ele grandes chances de cura, inclusive em alguns casos selecionados ele pode, após discutir com o seu médico e sua família, escolher por opções terapêuticas mais conservadoras.

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Esta é mais uma novidade acerca do câncer de próstata e logo pacientes e médicos terão a sua disposição mais uma arma para o entendimento desta neoplasia tão comum. As possibilidades são infinitas e a produção científica irá crescer exponencialmente nos próximos anos.

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Para Você

As informações aqui fornecidas, não devem substituir o aconselhamento médico ou de qualquer outro profissional qualificado. Elas são de responsabilidade do seu autor e não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Procure sempre o aconselhamento de seu médico ou profissional da área de saúde para maiores esclarecimentos. Não interrompa o tratamento e/ou indicações médicas.

Graduado pela Faculdade de Medicina de Marília, residência médica em Anatomia Patológica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Realizou estágio eletivo no Jonhs Hopkins Hospital em Baltimore, MD, no Brigham and Women´s and Health Hospital em Boston, no Beth Israel Deaconess Medical Center em Boston, MA, no NIH em Bethesda, MD e no MD Anderson Cancer Center em Houston durante o ano de 2013. Tem profundo interesse nas áreas de patologia do trato gastro-intestinal, urológica, mamária e biologia molecular.

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