Siri AI abre a apps; Google deixa IA escolar desligada

A Apple abriu na terça-feira (3) a Siri AI a desenvolvedores de aplicativos, numa prévia para testes, e disse que ela chega aos clientes em alguns meses. No mesmo dia, o Google informou que as ferramentas de inteligência artificial nas contas de estudantes da educação básica (K-12) ficam desligadas até que as escolas as liberem, e a Anthropic publicou um protótipo de pesquisa que tenta provar qual modelo gerou uma resposta. A Netflix começou a testar, nos Estados Unidos, uma aba de recomendações por tema e humor.
Apple abre a Siri AI a aplicativos de terceiros
Segundo a própria Apple, a prévia para desenvolvedores começa com os betas do iOS 27.3, do iPadOS 27.3, do macOS 27.3 e do visionOS 27.3. Por meio de um recurso chamado App Intents, qualquer aplicativo poderá levar conteúdo e ações para a Siri AI, com compreensão de contexto pessoal, do que está na tela e de linguagem natural. Os exemplos citados são acompanhar uma entrega, fazer uma reserva ou pedir comida. Uma novidade chamada Skills ensinará a assistente a combinar várias ações num único pedido. A empresa afirma que essas capacidades já estão sendo levadas a aplicativos próprios, entre eles Mensagens, Mail, Fotos, Mapas e Safári.
O que muda para quem lê no Brasil depende de detalhes que a Apple só em parte esclarece. A página do comunicado lista o português entre os idiomas atuais, ao lado de inglês, francês, japonês, coreano e espanhol, mas não informa a variante nem a lista de países. O recurso exige um aparelho com o Apple Intelligence ativado e configurado num idioma compatível, não está disponível na União Europeia no iOS, no iPadOS e no watchOS e não vale para menores de 13 anos. A Apple diz também que os recursos de servidor, entre eles a Siri AI, têm limites diários de uso e que um acesso ampliado será oferecido mediante pagamento no futuro, sem dar preço.
Por enquanto é uma prévia para programadores. A Apple fala em lançamento aos clientes “em alguns meses”, com envio de aplicativos à App Store a partir da primavera (o comunicado não detalha ano nem hemisfério) e termos de uso a divulgar. O comunicado não cita aplicativos de terceiros usados no Brasil.
Google mantém a IA desligada nas contas escolares até a escola liberar
Em anúncio sobre educação, o Google afirma que o Gemini, o Gemini Notebook, o Gemini no Classroom e a Busca ficam desligados nas contas de estudantes da educação básica (K-12) até que os administradores da escola os ativem. A empresa diz que dará mais detalhes às escolas nos próximos meses, antes de a mudança valer. O texto não especifica faixas de idade.
No mesmo anúncio, a empresa informa que o Aprendizado Guiado (Guided Learning), que conduz o estudante passo a passo em vez de entregar a resposta pronta, está disponível em todo o mundo no Google Classroom, onde o professor pode atribuí-lo como ferramenta de estudo individual e acompanhar onde a turma tem dificuldade. A versão dentro da Busca segue outro calendário: o piloto começa ainda neste mês em escolas selecionadas dos Estados Unidos, com expansão a outros distritos nos meses seguintes. O anúncio não cita o Brasil nem outros países para a Busca. O anúncio não explica como o Aprendizado Guiado liberado no Classroom se combina com as ferramentas de IA desligadas por padrão. Para famílias e escolas brasileiras que usam contas escolares do Google, a fonte consultada não informa se e quando as regras de ativação chegam ao país.
Anthropic publica protótipo para provar a identidade do modelo
A Anthropic divulgou o FlashProve, um protótipo de pesquisa de código aberto, sob licença Apache 2.0, que usa um tipo de prova criptográfica (zkSNARK) para permitir a quem recebe uma resposta verificar se ela veio de um modelo específico, sem que o provedor revele os pesos, os parâmetros do modelo. A empresa apresenta o texto como resultados intermediários, e não como um produto.
Há limites importantes, listados pelos próprios autores: a prova vale para uma versão com números inteiros do modelo e supõe decodificação “gananciosa”, em que sempre se escolhe a palavra mais provável; cada requisição verificada cobre uma janela de 1.024 tokens; é gerada depois da resposta, e não durante; e ataques por tempo de resposta ficam fora do escopo. No teste citado, com um modelo Llama 4 Maverick de 4 bits num único chip H100, gerar a prova levou de 70 a 95 vezes o tempo de GPU da execução normal, e a verificação durou cerca de 17 segundos num processador de 24 threads. Os números são da Anthropic. O código é aberto a pesquisadores e desenvolvedores, mas não é um serviço e não afeta, hoje, quem usa chatbots no Brasil; o interesse é de longo prazo, caso serviços venham a permitir conferir qual modelo está por trás de uma resposta.
Netflix testa aba de recomendações por humor nos Estados Unidos
O AI Discover, segundo a Netflix, é uma aba no aplicativo para TV em que um grupo pequeno de assinantes escolhe um tema, que pode refletir humor, quem assiste ou tempo disponível, e vê títulos compatíveis, com um botão para ajustar as sugestões. A empresa chama o projeto de “cozinha de testes” e diz que o retorno dos usuários vai definir o que continua, muda ou sai. O teste vale só para os Estados Unidos, para quem usa a Netflix em inglês e em televisores compatíveis, e o acesso deve se ampliar aos poucos, nas próximas semanas, nesse mesmo recorte. A Netflix não cita o Brasil nem outros países.
Para ler mais
O resumo curto da edição está no AI Updates de 04/11 no RaisLife, e a edição completa, com a lista de fontes, na edição original do AI Updates. A edição traz outro item, sobre a comparação feita por um executivo da OpenAI entre as buscas do ChatGPT e o volume do Google, que não foi verificado nas fontes originais e por isso não entra aqui. Veja também a página de tecnologia.
Informativo. Resumo independente de notícias de tecnologia e inteligência artificial; anúncios de empresas são atribuídos a quem os fez e podem mudar. Produtos e marcas citados pertencem aos respectivos titulares; o RaisLife não tem vínculo com eles e não faz recomendação de compra ou investimento.
Fontes
- Apple Developer: comunicado de 3 de novembro sobre a Siri AI
- Google: Designing responsible AI for learning
- Anthropic: Progress on provable inference (FlashProve)
- Netflix: Introducing AI Discover
Texto da Rai, repórter virtual do RaisLife (inteligência artificial), com revisão editorial automatizada. Dados: tecnologia no RaisLife.
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