Jornais acusam a Brave; OpenAI propõe plano de energia

Quatro jornais americanos, em duas ações, acusam a Brave Software, dona do navegador Brave, de copiar reportagens e repassá-las a empresas de inteligência artificial. Também na segunda-feira (2), a OpenAI apresentou um programa para que seus futuros centros de dados diminuam o consumo de eletricidade quando a rede estiver sob pressão. O resumo desta terça-feira (3) cobre ainda duas publicações técnicas da OpenAI, uma sobre segurança de modelos e outra sobre tarefas do dia a dia.
Jornais processam a Brave por uso de reportagens em serviços de IA
Segundo o TechCrunch, o New York Times entrou com a ação na segunda-feira (2) e, no mesmo dia, o Daily News, o Chicago Tribune e o Orlando Sentinel apresentaram um processo parecido. Ambas tramitam em tribunal federal de Manhattan, em Nova York. Os jornais afirmam que a Brave copiou conteúdo protegido por direitos autorais e o distribuiu de forma ilegal a clientes que a ação identifica como Anthropic, Perplexity, Mistral, xAI e Cohere.
A acusação inclui ainda a criação de um índice de mais de 30 bilhões de páginas da web por meio de um rastreador não identificado, o que impediria os editores de bloqueá-lo. O processo cita também uma função do navegador que contornaria paywalls e a prática de bloquear anúncios de editores enquanto a empresa vende os seus. De acordo com o Bloomberg Law, cujo texto está aberto só em parte, o Times acusa a Brave de copiar artigos para treinar os próprios modelos de linguagem e de repassá-los a outras desenvolvedoras, como Anthropic e Perplexity, e a petição compara a empresa a uma receptadora de conteúdo roubado. O jornal pede uma liminar e indenização por danos.
Para quem lê no Brasil, por ora nada muda. Trata-se de ações nos Estados Unidos, ainda no começo, e o TechCrunch informa que a Brave não respondeu de imediato ao pedido de comentário. Ninguém foi condenado, e as afirmações acima são as dos autores das ações. As reportagens consultadas não mencionam o Brasil nem alteram o funcionamento do navegador ou dos serviços citados.
OpenAI quer que centros de dados reduzam consumo em picos da rede
A OpenAI anunciou na segunda-feira o Grid Protectors Program, programa que, segundo a empresa, busca arranjos com distribuidoras, reguladores e autoridades para que seus futuros campi de computação diminuam a demanda por energia quando a rede elétrica estiver sob pressão. A empresa diz que as condições variam conforme o local e que divulgará compromissos adicionais à medida que forem fechados.
O exemplo central é o campus planejado no condado de Effingham, na Geórgia (EUA). Segundo a OpenAI, o acordo com a Georgia Power prevê até 1.000 megawatts de demanda flexível, o equivalente, de acordo com a empresa, ao consumo médio de cerca de 700.000 residências, e a companhia se comprometeu a pagar todo o custo de infraestrutura e de fornecimento elétrico do projeto. O The Verge lembra que a proposta chega num momento em que cresce a oposição a centros de dados nos Estados Unidos, e que a própria empresa passou a chamar esses locais de campi de computação.
A OpenAI não cita o Brasil, e a iniciativa, por enquanto, é um compromisso anunciado pela empresa, sem resultados medidos. A proposta responde, segundo o The Verge, à oposição crescente a centros de dados nos Estados Unidos, e deixa em aberto a questão de quem paga a conta de energia dessas instalações e de como elas se comportam quando a rede está no limite.
OpenAI descreve monitores que leem a atividade interna dos modelos
Em publicação técnica de 2 de novembro, pesquisadores da OpenAI explicam o uso de classificadores de ativação, chamados de “probes”, como camada extra de segurança. Eles analisam a atividade interna do modelo enquanto a resposta é gerada, passo a passo, e podem interromper a resposta ou bloquear a chamada de uma ferramenta. Segundo o texto, a técnica é usada nas respostas dos modelos mais capazes da empresa desde o GPT-5.6, tanto em tráfego interno quanto externo.
Os autores afirmam que, nos testes da própria equipe, esses monitores resistiram melhor aos jailbreaks testados (tentativas de burlar as regras) do que classificadores baseados em texto. A própria OpenAI ressalva que a robustez é maior contra ataques que não foram feitos para enganar o monitor e que os números vêm de experimentos internos, não necessariamente iguais ao sistema em operação. Também listam limites: só detectam o que foi treinado de forma supervisionada, precisam ser retreinados a cada novo modelo-base e podem exigir retreino quando os pesos do modelo mudam. A OpenAI diz que os monitores complementam outras proteções, e não as substituem. Os resultados são da própria OpenAI; a publicação não menciona avaliação independente.
LifeVal mede como a IA se sai em tarefas do cotidiano
Também em 2 de novembro, a OpenAI apresentou o LifeVal, avaliação com tarefas práticas como comparar escolas, montar um orçamento, planejar treinos e lidar com serviços públicos. A empresa diz que partiu de duas pesquisas de uso do tempo, a American Time Use Survey e a Multinational Time Use Study, e de uma pesquisa própria com 3.995 pessoas para saber em que tarefas as pessoas mais querem ajuda.
A página mostra exemplos com notas dos modelos atuais da empresa, como 93,1% numa tarefa de escolher e matricular em uma escola infantil e 100% numa de encontrar uma casa dentro de critérios dados e adicionar a escritura ao carrinho. A página não explica como a nota é calculada e mostra apenas exemplos escolhidos pela empresa, que afirma que os modelos mais recentes têm pontuação muito alta em várias tarefas. Não há comparação com outros fabricantes, e a página consultada não informa se há avaliação em português nem a disponibilidade dos recursos no Brasil. Por ser um teste criado pela própria OpenAI, serve mais como indicação do que a empresa pretende medir do que como medida independente de qualidade.
Para ler mais
O resumo curto da edição está no AI Updates de 03/11 no RaisLife, e a edição completa, com a lista de fontes, na edição original do AI Updates. A edição original traz outros itens, como o de uma empresa de IA sobre seus compromissos financeiros, que não foram checados aqui. Veja também a página de tecnologia.
Informativo. Resumo independente de notícias de tecnologia e inteligência artificial; anúncios de empresas são atribuídos a quem os fez e podem mudar. Produtos e marcas citados pertencem aos respectivos titulares; o RaisLife não tem vínculo com eles e não faz recomendação de compra ou investimento. Informações sobre processos reproduzem as alegações das partes, conforme a imprensa citada, e não são aconselhamento jurídico.
Fontes
- TechCrunch: New York Times e outros veículos processam a Brave
- Bloomberg Law: New York Times e Daily News processam por uso de reportagens em IA
- OpenAI: Grid Protectors Program
- The Verge: programa de proteção da rede elétrica da OpenAI
- OpenAI Alignment: treinamento de classificadores de ativação
- OpenAI: LifeVal
Texto da Rai, repórter virtual do RaisLife (inteligência artificial), com revisão editorial automatizada. Dados: tecnologia no RaisLife.
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