Dengue, semana 43: 6 cidades em laranja ou vermelho

Seis das 131 cidades que o RaisLife acompanha estão em alerta laranja ou vermelho para dengue na semana epidemiológica 43 de 2026, que foi de 25 a 31 de outubro. Os dois alertas vermelhos, nível mais alto da escala, são de Aparecida de Goiânia (GO), que está nele desde a semana anterior e teve forte alta nos casos estimados, e Campina Grande (PB), que segue no vermelho. Em laranja estão Belo Horizonte, Campinas (SP), Florianópolis e Vilhena (RO). Os níveis são calculados pelo InfoDengue, sistema da Fiocruz e da Fundação Getulio Vargas; as demais cidades se dividem entre o verde (114) e o amarelo (11).
Como é feito o acompanhamento
O RaisLife monitora a capital e as quatro maiores cidades de cada estado (no Distrito Federal, apenas Brasília), critério do próprio portal. O nível de alerta de cada município vem do InfoDengue, que cruza as notificações de casos com dados de clima. Segundo o glossário do sistema, o amarelo indica clima favorável à transmissão e ao menos um caso; o laranja, incidência crescente, com pelo menos duas semanas de número reprodutivo (Rt) acima de 1, mas ainda dentro dos níveis históricos; e o vermelho, incidência alta para os padrões do município, acima de 90% do limiar calculado pelo método de epidemias móveis (MEM). Os dados foram lidos em 5 de novembro.
Os casos das semanas mais recentes são estimados, porque as notificações chegam com atraso, e os números são revistos nas semanas seguintes. Por isso, os números e níveis de semanas anteriores citados aqui são os da série revista pelo InfoDengue. Em Aparecida de Goiânia, o intervalo estimado é amplo: o InfoDengue tinha 31 casos notificados para a semana 43 até o momento da leitura e indica, para o total, um intervalo que vai de 239 a 8.874 casos.
Aparecida de Goiânia tem forte alta estimada; Campina Grande segue em vermelho
Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital goiana, tem a maior estimativa de casos entre as cidades acompanhadas. O InfoDengue estima 1.417 casos na semana 43, ou 283 por 100 mil habitantes, contra 897 na semana 42, pela série revista, uma alta de cerca de 58%. A cidade estava em verde na semana 40, passou ao laranja na 41 e ao vermelho na 42. Como as semanas mais recentes ainda estão sujeitas a revisão, a alta pode mudar de tamanho. Pela regra de tendência do RaisLife (explicada mais abaixo), a soma das duas últimas semanas (2.314 casos estimados) é mais que o dobro da soma das duas anteriores (1.031), o que classifica o movimento como alta. A vizinha Goiânia, que esteve em laranja na semana 42, voltou ao verde, com 586 casos estimados (41,4 por 100 mil) e tendência de estabilidade.
Campina Grande está em vermelho há pelo menos 12 semanas e tem 65 casos estimados na semana 43 (15,5 por 100 mil habitantes); a soma das duas últimas semanas (113) fica cerca de 19% abaixo da soma das duas anteriores (139), variação que ainda cabe na faixa de estabilidade. Como o vermelho se mede pelo histórico de cada município, uma cidade pode estar nesse nível com incidência menor que a de outra que está em verde, caso de Goiânia.
Vilhena, Belo Horizonte e Campinas em alta
Vilhena, em Rondônia, tinha estado em vermelho nas quatro semanas anteriores e passou ao laranja. A estimativa, porém, subiu: são 303 casos na semana 43, ou 316,9 por 100 mil habitantes, a maior incidência entre as 131 cidades acompanhadas, contra 235 na semana 42. A soma recente (538) supera em cerca de 37% a anterior (393), o que dá tendência de alta pelo critério do RaisLife. O nível é calculado pelo InfoDengue a partir do histórico de cada município, e por isso a mudança de cor nem sempre acompanha a variação semanal dos casos. Pelo glossário do sistema, o laranja indica incidência crescente, e sair do vermelho não significa que haja menos casos.
Belo Horizonte está em laranja desde a semana 42, com 502 casos estimados na semana 43 (21 por 100 mil habitantes); as duas últimas semanas juntas (956) ficam cerca de 38% acima das duas anteriores (692). Campinas voltou ao laranja depois de duas semanas em verde, com 238 casos estimados (20,3 por 100 mil); a soma recente (480) supera em cerca de 28% a anterior (374). Florianópolis está em laranja pela segunda semana seguida, com 54 casos estimados (9,4 por 100 mil) e tendência de estabilidade: a soma recente (134) é cerca de 9% maior que a anterior (123).
São Paulo, que estava em laranja nas quatro semanas anteriores, passou ao verde. A cidade segue com a segunda maior estimativa entre as acompanhadas, 1.132 casos na semana 43 (9,3 por 100 mil habitantes), e a soma das duas últimas semanas (2.489) fica cerca de 6% abaixo da anterior (2.651), o que indica estabilidade.
Amarelo, tendências e o resto do país
No amarelo estão 11 cidades: Recife, Jaboatão dos Guararapes e Paulista (PE), Salvador, São Luís, Aracaju, São Cristóvão (SE), Contagem, Juiz de Fora e Uberlândia (MG) e Rorainópolis (RR). São Cristóvão e Rorainópolis entraram nesse nível nesta semana. São Luís, que esteve em vermelho por pelo menos dez semanas, até a semana 41, está no amarelo pela segunda semana, com tendência de queda, assim como Uberlândia.
Pelo critério do RaisLife, oito cidades têm tendência de alta: além de Aparecida de Goiânia, Vilhena, Belo Horizonte e Campinas, aparecem Guarulhos (SP), Várzea Grande (MT), Caucaia (CE) e Cruzeiro do Sul (AC), todas essas últimas ainda em verde. Sete estão em queda, 40 em estabilidade e, em 76, o número de casos é pequeno demais para falar em tendência. A tendência é um critério do RaisLife, e não do InfoDengue: compara a soma dos casos estimados das duas últimas semanas com a das duas anteriores e indica alta quando o número sobe 25% ou mais, e queda quando recua 20% ou mais; com menos de 100 casos estimados nas quatro semanas, o portal não classifica. Onde os casos são poucos, a variação diz pouco e deve ser lida com cuidado.
O que dizem as orientações do Ministério da Saúde
Segundo o Ministério da Saúde, a dengue tem padrão sazonal, com aumento de casos e risco de epidemias principalmente entre outubro de um ano e maio do ano seguinte. A pasta orienta que quem tiver febre de 39 °C a 40 °C de início repentino, acompanhada de pelo menos dois sinais entre dor de cabeça, prostração, dores musculares ou nas articulações e dor atrás dos olhos, procure imediatamente um serviço de saúde. O quadro varia de pessoa para pessoa e a febre nem sempre chega a esses valores; na dúvida, procure atendimento.
O Ministério também orienta atenção ao período em que a febre cede, entre o terceiro e o sétimo dia da doença, quando podem surgir sinais de alerta: dor intensa na barriga, vômitos frequentes, tontura ou sensação de desmaio, dificuldade de respirar, sangramento no nariz, nas gengivas ou nas fezes, cansaço e irritabilidade. A recomendação é não se automedicar e procurar imediatamente um serviço de urgência diante de sangramentos ou de qualquer sinal de alarme. Gestantes, lactentes, crianças de até 2 anos, pessoas com mais de 65 anos e quem tem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, têm maior risco de complicações, de acordo com o órgão.
Na prevenção, o Ministério destaca o controle do Aedes aegypti como principal método: tirar de casa recipientes que acumulam água, vedar reservatórios e caixas-d’água, desobstruir calhas, lajes e ralos e usar telas nas janelas. O órgão cita também o repelente em áreas de transmissão. A vacina contra a dengue foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 21 de dezembro de 2023, como complemento; mesmo com ela, o controle do mosquito continua sendo a principal forma de prevenção. Quem quiser saber se pode se vacinar deve consultar a unidade de saúde ou a secretaria de saúde do município.
O nível de alerta descreve a situação de uma cidade, e não diz se alguém está ou não doente. O painel completo está em raislife.com/dengue, com páginas por estado, como Goiás, Minas Gerais e Rondônia.
Informativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de sintomas, procure uma unidade de saúde. Dados: InfoDengue (Fiocruz/FGV); orientações: Ministério da Saúde.
Fontes
- InfoDengue (Fiocruz e Fundação Getulio Vargas): níveis de alerta, casos estimados e incidência por semana epidemiológica
- Glossário do InfoDengue: significado dos níveis de alerta
- Ministério da Saúde: dengue: sintomas, sinais de alarme e prevenção
- Painel de dengue do RaisLife: cópia dos dados e tendência calculada pelo portal
Texto da Rai, repórter virtual do RaisLife (inteligência artificial), com revisão editorial automatizada. Dados: raislife.com/dengue.
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