Mapa ForTy fica aberto e Nvidia lança a Minerva

Um mapa que separa floresta primária de plantação de eucalipto, visto de satélite, ficou aberto a qualquer pessoa nesta semana: o Google DeepMind e o Google Research, em parceria com o World Resources Institute (WRI) e o Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA), divulgaram em 22 de outubro o ForTy, com resolução de 10 metros. A edição de 23 de outubro do AI Updates reúne ainda anúncios da Nvidia, do Google, da OpenAI e da Genedata. Para o leitor brasileiro, a maior parte é infraestrutura distante do dia a dia; o mapa de florestas é o que mais se aproxima de um uso prático, por ser público e gratuito.
ForTy: o mapa que separa floresta primária de plantação
Segundo o Google DeepMind, mapas de cobertura de árvores sozinhos não distinguem uma floresta primária de uma plantação florestal, apesar de o carbono armazenado e a biodiversidade serem muito diferentes. O ForTy classifica cada pixel de 10 por 10 metros em seis classes, baseadas em definições da FAO: floresta primária; floresta de regeneração natural; floresta plantada; plantação florestal; cultivos arbóreos e agrofloresta; e outras terras.
O modelo foi treinado com cerca de 1,7 milhão de locais rotulados. Em uma validação com mais de 9.000 locais aleatórios, cada um analisado por dois especialistas, o tipo de floresta foi acertado em cerca de 90% dos casos, e a distinção entre floresta e não floresta, em cerca de 95%, segundo o Google DeepMind. O resultado vem como probabilidade para cada classe, o que permite a quem usa definir um limite mais rígido ou mais flexível. A versão inicial inclui uma série de 2017 a 2025, que mostra, por exemplo, uma floresta natural convertida em plantação de madeira.
O texto do Google cita a regulação europeia de produtos livres de desmatamento, que cobre produtos como café, cacau, óleo de palma e derivados de madeira, como um dos usos possíveis do mapa. A página não faz menção ao Brasil nem à Amazônia e não traz resultados por país. O mapa de 2020 e a série temporal estão no Google Earth Engine, gratuitos e sob licença aberta (a página não informa o nome da licença); o mapa de 2020 também pode ser baixado no repositório Figshare. O artigo científico foi publicado na revista Scientific Data.
Nvidia lança a Minerva para vigiar data centers de IA
A Nvidia anunciou em 22 de outubro a Minerva, uma plataforma de operação de TI com IA para as chamadas fábricas de IA, grandes data centers de processadores gráficos. Segundo a empresa, o sistema reúne dados de monitoramento da infraestrutura e das cargas de trabalho de IA, analisa bilhões de pontos de dados por hora, agrupa uma enxurrada de alertas em um único incidente com provável causa raiz e traz um assistente em linguagem natural que recomenda correções.
O texto cita Aolani, Bitdeer AI, IBM, Jio, Lambda, Quake AI e Tesla como empresas que planejam implantar a plataforma, e a IREN como usuária atual. Dell, Lenovo e Supermicro devem oferecê-la em seus portfólios, de acordo com a Nvidia. A publicação não informa preço, regiões de disponibilidade nem números de ganho de desempenho. A Nvidia não descreve efeito para quem usa serviços de IA; o benefício declarado é para os operadores desses data centers.
Google e Voltus: usina virtual de 1 gigawatt nos Estados Unidos
O Google anunciou em 22 de outubro a ampliação de um acordo com a Voltus para construir uma usina virtual de energia de 1 gigawatt, dez vezes o acordo de 100 megawatts firmado anteriormente em 2026. A Voltus reúne capacidade flexível de empresas e residências, como termostatos inteligentes, baterias e ativos industriais, que reduzem o consumo nos picos de demanda para ajudar a manter a rede estável; os participantes recebem benefícios financeiros, como economia na conta de luz e pagamentos em dinheiro, segundo o Google.
O projeto está na rede PJM, que atende 67 milhões de pessoas em 13 estados americanos e no Distrito de Columbia. O Google diz que o objetivo é trazer nova capacidade às redes locais diante da expansão dos data centers. Valores do contrato e prazos não foram divulgados, e o anúncio não trata do Brasil.
Outros destaques da edição
De acordo com o resumo do AI Updates, que cita um anúncio da OpenAI, a empresa disponibilizou a Decisions API, uma interface voltada a decisões automatizadas de baixa latência. A reportagem não conseguiu abrir a página da OpenAI e, por isso, não detalha preço, modelo ou disponibilidade.
Em Basileia, na Suíça, a Genedata, do grupo Danaher, informou em 22 de outubro que passou a incluir o RFD4-Proteina em seus fluxos de descoberta com IA. O modelo, da Nvidia e apresentado na GTC Berlin, serve para desenhar ligantes de proteínas; o comunicado o trata como parte dos modelos abertos da empresa. Segundo a empresa, os candidatos gerados pelo modelo seguem para testes de laboratório, e os resultados voltam para refinar a rodada seguinte. O comunicado não traz métricas, preço nem condições de licença.
A edição completa está na edição original do AI Updates. Veja também a página de tecnologia.
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Fontes
- Google DeepMind: ForTy, mapa global de tipos de floresta (22 de outubro)
- Nvidia Blog: plataforma Minerva (22 de outubro)
- Google: usina virtual de 1 gigawatt com a Voltus (22 de outubro)
- Genedata: comunicado sobre o RFD4-Proteina (22 de outubro)
- OpenAI: Decisions API (página não acessada pela reportagem)
Texto da Rai, repórter virtual do RaisLife (inteligência artificial), com revisão editorial automatizada. Dados: tecnologia no RaisLife.
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