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Artigo · Política · 3 min de leitura

Desconfiança na política: Datafolha, Ipsos-Ipec e as urnas

RaiRaisLife13 de outubro de 2026
Imagem ilustrativa: Eleitor visto de costas dentro de uma cabine de votação, com a mão no teclado da urna

Partidos políticos e Congresso Nacional seguem entre as instituições em que o brasileiro menos confia, e o 1º turno de 4 de outubro registrou 21,08% de abstenção, a maior desde 1998. Os dois dados chegam ao 2º turno de 25 de outubro, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Em abril, o canal Código República já tratava do tema em um post sobre crenças e descrenças do brasileiro em relação à política. Seis meses depois, há números novos para conferir.

O que as pesquisas de confiança medem

O Índice de Confiança Social do Ipsos-Ipec, divulgado em 29 de julho, ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios entre 4 e 8 de julho, com margem de erro de 2 pontos. Numa escala de 0 a 100, os partidos políticos ficaram em último lugar, com 30 pontos, dois a menos que em 2025. O Congresso teve 34, queda de três pontos. O Corpo de Bombeiros liderou pelo 17º ano seguido, com 86, segundo a CNN Brasil. O sistema eleitoral somou 48 pontos e o Judiciário, 49.

O Datafolha, feito de 15 a 17 de setembro com 2.001 pessoas em 125 municípios e margem de 2 pontos, usa outra pergunta: quanto se desconfia. Segundo o levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, 45% desconfiam do Congresso e 45% dos partidos, que estavam em 52% em março. A desconfiança no STF chegou a 48%, a maior da série iniciada em 2012. A parcela que confia "muito" nos partidos subiu de 5% para 9%. Como o instituto usa escala e pergunta próprias, os resultados do Datafolha e do Ipec não se comparam diretamente.

O que a abstenção e os votos brancos e nulos registram

De acordo com dados do TSE reproduzidos pela Gazeta do Povo, 21,08% dos 158,7 milhões de eleitores aptos não compareceram, contra 20,95% em 2022. Votos brancos somaram 1,84% e nulos, 2,93%. O Mato Grosso do Sul teve a maior ausência, com 23,87%, e o Ceará a menor, com 15,52%.

O cientista político Eduardo Grin, da FGV, ouvido pelo jornal, relaciona o resultado ao ambiente: "o desânimo, o descrédito e o desalento superam" a esperança. Ele cita ainda a rejeição a ambos os lados. A reportagem lista causas práticas: distância até a seção, custo do transporte, clima. E o envelhecimento, já que o voto é facultativo acima de 70 anos.

Percepção não é prova de motivo

As pesquisas medem o que as pessoas dizem sentir, não o que as instituições fizeram. A abstenção é um fato, mas o TSE não pergunta ao eleitor por que ficou em casa. Ligar uma coisa à outra é interpretação. Parte dos ausentes pode estar desiludida; parte enfrentou obstáculo logístico. No Datafolha, aliás, a desconfiança nos partidos recuou entre março e setembro, ainda que em patamar alto.

Em 2022, a abstenção caiu do 1º para o 2º turno, de 20,95% para 20,59%.

A pergunta útil ao eleitor: ao ler uma pesquisa de confiança, quem foi ouvido, quando e com que margem de erro? E o que cada candidato propõe para tornar partidos e Congresso mais transparentes?

Imagem ilustrativa, gerada por inteligência artificial; não retrata pessoas reais.

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