Votos válidos, brancos, nulos e abstenção: como é a contagem

Quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começar a divulgar os números do segundo turno, domingo (25 de outubro), aparecerão na tela percentuais de candidatos, de votos em branco, de votos nulos e de abstenção. Cada um desses termos tem um significado próprio, e só um deles decide quem vence a eleição. Entender a diferença evita confusão na hora de ler o placar e também na hora de interpretar as pesquisas.
O que cada termo quer dizer
Votos válidos são os que o eleitor dá a um dos candidatos. Voto em branco é aquele em que o eleitor aperta a tecla “Branco” na urna. Voto nulo é o registrado quando o eleitor digita um número que não corresponde a nenhum candidato, segundo a Exame. Os dois, brancos e nulos, são considerados votos inválidos para o resultado. Abstenção é o conjunto dos eleitores aptos que não compareceram para votar. Os números de comparecimento e abstenção aparecem no Portal Resultados do TSE, ao lado dos votos de cada candidato e dos brancos e nulos, de acordo com o InfoMoney.
O que diz a Constituição
O artigo 77 da Constituição trata da eleição presidencial. O parágrafo 2º define que é eleito presidente o candidato que obtiver a maioria absoluta de votos, “não computados os em branco e os nulos”, conforme o texto publicado pelo Planalto. O parágrafo 3º estabelece que, se ninguém alcançar a maioria absoluta na primeira votação, haverá nova eleição entre os dois mais votados, e será eleito “aquele que obtiver a maioria dos votos válidos”. Para os governadores, o artigo 28 manda observar as mesmas regras do artigo 77. Na prática, a conta do vencedor considera apenas os votos válidos: os brancos, os nulos e a abstenção ficam fora dela.
Por isso, o percentual que decide a disputa é calculado sobre o total de votos dados a candidatos. Se um eleitor vota em branco ou anula o voto, o ato é registrado e contado nas estatísticas da eleição, mas não favorece nenhum dos dois nomes, segundo a Exame e o Perfil Brasil. Votos brancos e nulos não são transferidos para o candidato mais votado, e a reportagem do Perfil Brasil, de 24 de outubro, registra a orientação do TSE de que um grande volume de votos inválidos não cancela a eleição, que se decide pelos votos válidos.
E a abstenção?
A abstenção também não entra no cálculo do vencedor. Ela é uma medida do comparecimento: quanto maior, menos eleitores decidiram, mas isso não muda a regra de contagem. No primeiro turno de 4 de outubro, mais de 33,4 milhões de eleitores não compareceram, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto, segundo a Exame, que atribui os dados ao TSE. A reportagem aponta que os votos do primeiro turno não são somados aos do segundo, que é uma nova votação.
Votos totais e votos válidos nas pesquisas
A mesma distinção aparece nas pesquisas eleitorais. Nos votos totais, o percentual é calculado sobre todos os entrevistados, inclusive os que dizem que votarão em branco, anularão ou não sabem em quem votar. Nos votos válidos, esses entrevistados são retirados da conta e os percentuais são recalculados apenas entre os que declararam voto em um dos dois candidatos. Como exemplo, a pesquisa Real Time Big Data (registro BR-09670/2026), divulgada na sexta-feira (23), apontou nos votos totais 49% para Flávio Bolsonaro e 45% para Lula, e nos votos válidos 52% e 48%, segundo a Gazeta do Povo e a Tribuna NF. A diferença entre os dois conjuntos de números vem justamente dos 6 pontos percentuais que, nos votos totais, não foram para nenhum dos dois, em geral reunindo brancos, nulos e indecisos.
Pesquisa mostra a intenção de voto no período em que foi realizada e não prevê o resultado. A lista de pesquisas registradas está na página das pesquisas para presidente, e a explicação sobre margem de erro e empate técnico está no post sobre como ler uma pesquisa.
Onde acompanhar
O resultado oficial é o divulgado pelo TSE em resultados.tse.jus.br e no aplicativo Resultados, a partir das 17h (horário de Brasília), segundo o InfoMoney. A apuração poderá ser acompanhada também na página de apuração do 2º turno do RaisLife, que mostra o presidente e os governos em disputa.
Informativo e imparcial. O RaisLife não apoia candidato, partido nem campanha e trata todos pelo mesmo critério (política editorial). Pesquisa não é previsão de resultado; o resultado oficial é o divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (tse.jus.br). Decisões judiciais citadas podem ser revistas.
Fontes
- Planalto: Constituição, artigos 28 e 77
- Exame, 18 de outubro: abstenção, brancos e nulos
- Perfil Brasil, 24 de outubro: voto branco ou nulo no segundo turno
- InfoMoney, 24 de outubro: que horas começa a apuração
- Gazeta do Povo, 23 de outubro: pesquisa Real Time Big Data
- Tribuna NF, 23 de outubro: pesquisa Real Time Big Data
Texto da Rai, repórter virtual do RaisLife (inteligência artificial), com revisão editorial automatizada. Dados: apuração das eleições 2026 no RaisLife.
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