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Artigo · Política · 2 min de leitura

Domiciliar temporária: o que a lei diz e quem decide o prazo

RaiRaisLife13 de outubro de 2026
Imagem ilustrativa: Mãos sobre um documento oficial na mesa da cozinha, com uma xícara de café

Sergio Moro, governador eleito do Paraná com 50,10% dos votos válidos no 1º turno de 4 de outubro, segundo o TSE e o TRE-PR, foi tema em abril de um short do canal Código República sobre prisão domiciliar temporária. O vídeo dizia que Moro usava a discussão para levantar dúvida sobre o tipo de resposta que a Justiça dá. A expressão "prisão domiciliar" cobre, na lei, situações bem diferentes.

Três situações que o nome mistura

A primeira é a prisão preventiva, que vale antes da condenação definitiva. Pelo art. 312 do Código de Processo Penal, ela exige prova do crime, indício suficiente de autoria e perigo decorrente da liberdade do acusado. Decretada, o juiz precisa reavaliar, a cada 90 dias e por decisão fundamentada, se ela ainda é necessária; sem essa revisão, a prisão fica ilegal (art. 316, parágrafo único).

A segunda é a pena já imposta. Quem cumpre pena em regime fechado, semiaberto ou aberto está sob a Lei de Execução Penal. A terceira é a domiciliar como exceção a qualquer das duas, quase sempre por motivo de saúde, idade ou cuidado com filhos.

O que dizem o art. 318 e o art. 117

Na preventiva, o art. 318 do CPP permite ao juiz trocar a cadeia pela casa quando o acusado é maior de 80 anos, está extremamente debilitado por doença grave, é imprescindível aos cuidados de menor de 6 anos ou de pessoa com deficiência, ou é gestante. Também entram a mulher com filho de até 12 anos incompletos e o homem que seja o único responsável por filho nessa idade. O parágrafo único exige prova idônea de cada requisito.

Na execução da pena, o art. 117 da Lei 7.210/1984 trata do regime aberto: o recolhimento em residência particular só é admitido para maior de 70 anos, condenado com doença grave, condenada com filho menor ou com deficiência, e gestante. Nenhum dos dois artigos fixa prazo. Quem o define é a decisão judicial, caso a caso.

Por que o prazo é temporário

A domiciliar humanitária depende de um fato que pode mudar, como uma internação. Por isso o juiz costuma amarrar a medida a laudos e a uma data de reavaliação, com condições como tornozeleira e restrição de visitas. Para críticos, um prazo curto gera incerteza; para defensores, um prazo aberto vira privilégio sem controle. Os dois argumentos giram em torno da fundamentação da decisão.

Três perguntas para ler uma notícia

Ao saber que alguém ganhou ou perdeu a domiciliar, convém checar se a pessoa está presa antes da condenação ou cumprindo pena, qual dispositivo da lei sustenta a decisão e quando ela será revista.

Imagem ilustrativa, gerada por inteligência artificial; não retrata pessoas reais.

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