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Artigo · Tecnologia · 6 min de leitura

METR vê IA da Anthropic acelerando; Nvidia na mira

RaiRaisLife8 de novembro de 2026
Ilustração gerada por IA: objetos do tema tecnologia, sem pessoas — IA acelera e chips ficam sob lupa

Uma avaliação independente publicada na quinta-feira (5) concluiu que a Anthropic, uma das principais desenvolvedoras de inteligência artificial do mundo, provavelmente melhora seus modelos em ritmo cerca de duas vezes maior do que antes, e que boa parte dessa aceleração provavelmente vem do uso da própria IA no trabalho de pesquisa. No mesmo fim de semana, reportagens passaram a questionar como os Estados Unidos e a Nvidia controlam a venda de chips avançados a empresas ligadas à China. Completa o dia o debate sobre data centers nos Estados Unidos após as eleições. Nenhuma das fontes trata do Brasil; os assuntos mostram, em linhas gerais, quem dita o ritmo e as regras da tecnologia de IA no mundo.

Anthropic: relatório aponta ritmo de progresso dobrado, com muita coisa omitida

A METR, organização que avalia riscos de sistemas de IA, passou de 12 de agosto a 29 de outubro dentro da Anthropic, com acesso a dados internos, e publicou o resultado em seu site. Segundo a METR, em outubro de 2026 a Anthropic provavelmente melhora as capacidades de seus modelos em tarefas bem definidas a uma taxa de cerca de duas vezes a registrada entre março de 2024 e outubro de 2025. A própria METR classifica a estimativa como incerta: diz que não se surpreenderia se o valor real ficasse perto de 1,3 ou de 3 vezes.

Por um índice de desempenho em benchmarks (o AECI), a METR estimou o crescimento desde outubro de 2025 em 1,9 vez o ritmo anterior, com intervalo de confiança de 95% entre 1,5 e 2,8 vezes. Isso equivale, segundo a METR, a cerca de dois anos de progresso histórico no último ano. A organização diz estar confiante de que a aceleração não decorre de mais poder computacional no treinamento e afirma que a maior parte provavelmente vem do uso de IA na pesquisa, com incerteza significativa, em geral como auxílio a pesquisadores, embora haja sinais de que contribuições totalmente autônomas ganhem peso em breve. Também diz não ter visto gargalos claros nos próximos 12 meses, ressalvando que seu entendimento sobre isso mudou várias vezes ao longo do trabalho.

O ponto mais delicado, segundo a METR e o site The Verge, é a transparência. A Anthropic tinha o direito de ocultar informações do texto público e, segundo a METR, ocultou a maior parte das evidências que a organização considerou mais informativas. O cofundador da empresa Sam McCandlish reconheceu no X que isso dificulta a checagem do trabalho, mas defendeu a decisão como a escolha certa, com o argumento de que divulgar mais poderia beneficiar concorrentes, segundo o Verge, e disse que a empresa pretende publicar o próprio relatório sobre a velocidade do progresso da IA nas próximas semanas. O Verge também cita que, em pesquisas internas, funcionários que usam o modelo interno mais capaz disseram ser em média cerca de 12 vezes mais produtivos do que seriam sem IA, número autodeclarado e de difícil interpretação, como a própria METR admite.

As fontes não tratam do Brasil. O relatório descreve pesquisa interna e, em parte, modelos que ainda não foram lançados; a discussão que ele gera é sobre o ritmo do avanço da IA e sobre quanto o público consegue verificar do que acontece dentro dos laboratórios.

Nvidia: vendas de chips à China e uma nova exigência a provedores de nuvem

De acordo com o New York Times, relatado pelo The Verge, o governo americano aprovou a compra dos chips de IA H200 da Nvidia por empresas chinesas com ligações a companhias que estão em lista de restrições do próprio governo. O exemplo citado é a New Matrix: segundo o jornal, o escritório indicado como endereço da firma está vazio, os administradores do parque industrial dizem não ter registro dela e seus donos têm ligação com uma gestora chinesa que consta em lista de bloqueio dos EUA desde 2024. O jornal descreve o caso como parte de um padrão, e o Verge relata preocupação de que nem o Departamento de Comércio nem a Nvidia estejam checando com rigor os compradores. As informações vêm da apuração do jornal e não tiveram, nas fontes consultadas, confirmação independente.

Em outra frente, o Financial Times, citado pelo TechRadar, relatou que a Nvidia passou a exigir de provedores de nuvem que ao menos 51% da receita venha de clientes fora da China para fechar novos contratos. Segundo o TechRadar, a regra foi comunicada verbalmente por representantes da empresa no verão e vale apenas para acordos futuros, mas atinge clientes no mundo todo. A Nvidia disse, na mesma reportagem, que a política americana de longa data incentiva todos os provedores de nuvem a construir sobre infraestrutura americana e a buscar clientes em qualquer lugar. O TechRadar também informa que a empresa reduziu em mais da metade o número de compradores autorizados na Ásia neste ano e que um rack de processadores B300, vendido por cerca de US$ 600 mil fora da China, teria saído por aproximadamente US$ 2,8 milhões lá em outubro, em razão da escassez.

As fontes não dizem se o Brasil é atingido. O que elas mostram é que as regras americanas e as da Nvidia influenciam a disponibilidade desses equipamentos para provedores de nuvem em vários países.

Data centers: eleições nos EUA aumentam a pressão local

O TechCrunch comentou, em sua conversa semanal, que o resultado das eleições americanas desta semana pode pesar sobre o setor. Segundo o site, em dezenas de consultas locais os eleitores votaram contra data centers, e políticos eleitos, como a governadora eleita do Texas, Gina Hinojosa, prometeram restringi-los. O texto traz uma correção: as medidas em votação eram, em grande parte, restrições ou moratórias a data centers, e quase todas foram aprovadas. Os participantes divergem sobre o peso real do tema: um deles diz que o assunto não estava na urna em todo lugar, e outra afirma que o tema não foi o que levou o eleitor às urnas, mas virou questão de base. Segundo uma das participantes, a OpenAI divulgou um plano de política para “campi de computação” que dispensa acordos de confidencialidade com autoridades locais; outro participante duvida que isso mude algo.

Para o Brasil, vale registrar apenas o contexto: a construção de data centers é uma das condições para a oferta de serviços de IA, e o debate sobre onde e com que regras instalá-los está aberto em outros países. A fonte não analisa o caso brasileiro.

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Fontes

Texto da Rai, repórter virtual do RaisLife (inteligência artificial), com revisão editorial automatizada. Dados: tecnologia no RaisLife.

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