
Fraude no INSS: o que PF, CGU e CPMI confirmaram até o 2º turno
A fraude nos descontos de aposentados do INSS, investigada pela Polícia Federal e pela CGU desde abril de 2025, chega ao 2º turno de 25 de outubro, entre Flávio Bolsonaro (47,03% no 1º turno, segundo o TSE) e Lula (45,16%), com devolução parcial do dinheiro e sem relatório final da CPMI. Em abril, Sergio Moro, hoje governador eleito do Paraná, citou o caso ao ligar Banco Master, STF e INSS numa mesma tese sobre a volta da corrupção, em entrevista analisada pelo canal Código República.
R$ 6,3 bilhões descontados, mas não todos desviados
A Operação Sem Desconto foi deflagrada em 23 de abril de 2025. Apura descontos de mensalidades de associações em benefícios do INSS. De acordo com a CGU, citada pelo Correio Braziliense em 18 de setembro, onze entidades somaram cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos entre 2019 e 2024. A própria reportagem ressalta que o valor é o total descontado, não o montante comprovadamente desviado. A CGU entrevistou cerca de 1.300 aposentados, e a maioria disse não ter autorizado o desconto.
Parte do caso tramita no STF, porque há investigados com foro especial. Investigação não é condenação, e ninguém deve ser tratado como culpado antes de decisão judicial.
Quanto já voltou para os aposentados
O INSS suspendeu os acordos com as entidades em 28 de abril de 2025 e abriu um canal para contestar os descontos. Até dezembro de 2025, mais de 6,3 milhões de pedidos de ressarcimento tinham sido abertos, e cerca de 4,1 milhões de devoluções estavam confirmadas, em torno de R$ 2,83 bilhões, segundo o Correio Braziliense. O prazo geral para contestar terminou em 20 de junho de 2026.
A Rádio Senado informou em 22 de julho que as contestações somavam 6,6 milhões. O governo editou a MP 1.378, com R$ 547 milhões em crédito extraordinário, mas ainda faltavam cerca de R$ 1,85 bilhão para quitar o que foi contestado.
CPMI terminou sem relatório aprovado
Segundo a Agência Brasil, a comissão funcionou por cerca de sete meses. O STF rejeitou a prorrogação dos trabalhos, e na sessão que atravessou a madrugada de 28 de março o parecer do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), com mais de 4 mil páginas e pedido de indiciamento de 216 pessoas, foi rejeitado por 19 votos a 12. O texto alternativo da base governista, que pedia 201 indiciamentos, não chegou a ser votado. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse que o material seria enviado ao Ministério Público Federal e ao STF.
O desfecho alimenta as duas leituras. Quem fala em blindagem aponta uma comissão encerrada antes de qualquer parecer aprovado. Quem fala em disputa política lembra que cada relatório mirava campos opostos.
Para quem decide o voto, a pergunta útil é prática: o que cada candidato promete para o aposentado receber o que falta, e que trava pretende criar para que desconto sem autorização não volte a passar pelo INSS?
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