
Ratinho Junior deixa o Paraná com R$ 10 bi em caixa; Moro assume
Sergio Moro assume o governo do Paraná em 6 de janeiro de 2027, data da posse dos governadores segundo o TRE-PR, e recebe de Ratinho Junior (PSD) um estado com caixa alto, investimentos recordes e uma pergunta aberta sobre quanto desse fôlego dura. Eleito no primeiro turno de 4 de outubro, com 50,10% dos votos válidos (3.127.911 votos), segundo o TSE e o TRE-PR, Moro já trata a transição como em andamento.
Como a transição começou
Em entrevista à CBN Curitiba na sexta-feira (9), reportada pelo jornal O Paraná em 10 de outubro, Moro disse que a transição "já começou" e que o objetivo é chegar a janeiro com as principais mudanças planejadas. Segundo ele, Ratinho Junior telefonou e se colocou à disposição para colaborar.
Moro também conversou com o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), sobre ajustes no orçamento de 2027. A transição busca acesso às finanças estaduais e aos programas em andamento. Ele reiterou a promessa de reduzir secretarias. "Nada se define na semana seguinte às eleições", disse.
O que Ratinho Junior deixa
Os números de maior destaque vêm do próprio governo. Em janeiro de 2026, a Agência Estadual de Notícias do Paraná informou que o estado empenhou R$ 7,18 bilhões em investimentos em 2025, valor que o governo apresenta como recorde e mais que o dobro dos R$ 3,2 bilhões de 2018. O PIB paranaense, segundo o mesmo informe, passou de R$ 440 bilhões em 2018 para R$ 718,9 bilhões em 2024, e o estado se apresenta como a quarta maior economia do país.
Na área fiscal, reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 20 de setembro, assinada por Eduardo Cucolo, aponta cerca de R$ 10 bilhões em caixa não vinculado ao fim de 2025, o maior valor entre os estados. A Secretaria do Tesouro Nacional, citada pela Secretaria da Fazenda paranaense, classifica o estado com nota A+ em Capacidade de Pagamento.
O que a herança não mostra de imediato
A mesma reportagem da Folha traz um contraponto. O caixa caiu 20% em termos reais desde o fim de 2022 e passou de 24% para 15% da receita corrente líquida entre o fim do primeiro mandato de Ratinho Junior e 2025. Dados preliminares indicam nova queda em 2026, segundo o jornal.
Em abril, o canal Código República analisou a estratégia de Moro de se apresentar como continuidade seletiva da gestão de Ratinho Junior, prometendo elevar a régua em tecnologia e gestão. A transição é o primeiro teste prático: o que o novo governo mantém, o que corta e como paga a conta.
A pergunta útil para o leitor
Quando a equipe de transição apresentar o diagnóstico das contas, qual número merece mais atenção: o caixa total, a queda em proporção da receita ou o que já está comprometido para 2027? O leitor pode cobrar um relatório público e um orçamento que diga, com prazo, quais obras continuam.
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