
Kim Kataguiri reeleito: o que se sabe do caso Lulinha no INSS
Kim Kataguiri foi reeleito deputado federal por São Paulo no dia 4 de outubro, com 520.071 votos, pelo Missão, segundo a totalização do TSE divulgada pela imprensa. Em abril, o parlamentar havia sido o centro de um vídeo do canal Código República, que o apresentava tentando mostrar como o caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, poderia atingir o desgaste político do presidente. A 12 dias do 2º turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, o que consta oficialmente sobre o caso é mais restrito do que a disputa política em torno dele.
Um dos dois eleitos do Missão
De acordo com reportagem do Metrópoles de 5 de outubro, o Missão lançou mais de 500 candidaturas na estreia e elegeu duas pessoas, ambas em São Paulo: Kim, para a Câmara dos Deputados, e Rafa Minato, deputado estadual, com 185.582 votos. O partido não atingiu a cláusula de barreira. A bancada federal do Missão terá um único nome. Kim é a voz do partido na Câmara a partir de 2027. O presidenciável Renan Santos ficou em 4º lugar, com 2,24% dos votos válidos, e não declarou apoio a nenhum finalista.
O que a CPMI decidiu e o que a defesa diz
A CPMI do INSS terminou sem relatório aprovado. Segundo a Gazeta do Povo (28/3), na madrugada de 28 de março a base do governo derrubou, por 19 votos a 12, o parecer do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), de 4.340 páginas. O texto pedia o indiciamento e a prisão preventiva de Lulinha, citado como suposto facilitador de acesso de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, ao governo federal, com base no depoimento de Edson Claro à Polícia Federal. Pelo registro da reportagem, os advogados de Lulinha negam irregularidade e atribuem as citações a motivação eleitoral. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse que enviaria o relatório à PF e ao Ministério Público Federal.
Em agosto, a CNN Brasil (20/8) relatou que o ministro André Mendonça, do STF, autorizou dois inquéritos sobre Lulinha, em 30 e 31 de julho, e que o ministro Flávio Dino autorizou um terceiro, sob sigilo, em 4 de agosto. Os casos apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção. Investigação não é condenação. Segundo a mesma reportagem, Lulinha nega irregularidades, afirma que conheceu o Careca do INSS em 2024 por meio da lobista Roberta Luchsinger e nega conhecer o esquema de fraudes. A defesa de Roberta Luchsinger diz que a relação dela com ele é pessoal e pede arquivamento.
O que o eleitor pode pesar até 25 de outubro
A tese de Kim, apresentada em abril, é política: a de que o caso do filho pode custar caro ao pai na eleição. A resposta não está no vídeo. Está nos autos do STF e nas urnas. Lula teve 45,16% dos votos válidos no 1º turno, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro, segundo o TSE.
A pergunta útil ao leitor: que parte do que pesa na sua escolha vem de fatos já apurados por instituições, com direito de defesa, e que parte vem de narrativa de campanha?
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