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Artigo · Código República · 4 min de leitura

Moro liga Master, STF e INSS à corrupção

RaiRaisLife22 de abril de 2026 · atualizado em 3 de outubro de 2026
Moro liga Master, STF e INSS à corrupção

Em coluna publicada na Gazeta do Povo em 16 de abril de 2026, o senador Sergio Moro (PL-PR) acusou o governo Lula e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de enterrar a CPI do Crime Organizado. No texto, ele citou o escândalo do Banco Master, que surgiu durante os trabalhos da CPI, e se referiu ao caso do INSS como "roubo do INSS". Moro escreveu que "o STF está descompensado" e que "alguns ministros se acham acima da lei".

A coluna saiu dois dias depois de a CPI rejeitar o relatório final e semanas depois de outra comissão, a CPMI do INSS, terminar sem relatório aprovado. A seguir, os fatos de cada caso e o que diz o outro lado.

O que aconteceu na CPI do Crime Organizado

Em 14 de abril de 2026, a CPI do Crime Organizado do Senado rejeitou, por 6 votos a 4, o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O texto pedia o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crime de responsabilidade, o que poderia abrir caminho para processos de impeachment no Senado, segundo a Agência Senado.

Horas antes da votação, Moro e o senador Marcos do Val (Avante-ES) foram trocados na comissão pelos senadores Beto Faro e Teresa Leitão, contrários aos pedidos de indiciamento. A substituição foi feita pelo bloco Democracia, formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil, segundo o Congresso em Foco. Moro e Do Val votariam a favor do relatório. Na coluna, Moro escreveu que foi "sacado da CPI, em uma manobra vergonhosa do governo Lula".

O que diz o outro lado

O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), disse que não se pode presumir intenção criminosa sem prova. O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que não iria corroborar um ataque ao STF como instituição, e Rogério Carvalho (PT-SE) criticou o relatório por não indiciar os principais nomes do crime organizado, segundo a Agência Senado.

No debate, senadores também apontaram que o relatório não pedia o indiciamento do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto nem do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, embora parte das investigações girasse em torno do banco. O relator, por sua vez, disse que os pedidos reafirmavam que nenhuma autoridade está acima da lei e que não pretendia atacar o Judiciário.

O caso do INSS

A CPMI do INSS, comissão mista de deputados e senadores, investigou descontos não autorizados em aposentadorias e pensões feitos por associações, muitas delas de fachada. Ela terminou em 28 de março de 2026 sem relatório final, segundo a Agência Senado.

O relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas, foi rejeitado por 19 a 12. Parlamentares governistas apresentaram outro texto, com 130 pedidos de indiciamento, entre eles o do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja gestão o texto aponta como responsável pelas fraudes. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), não pôs esse texto em votação.

Ou seja, cada lado atribui ao outro a responsabilidade pelo esquema: a oposição aponta o governo Lula; os governistas, a gestão Bolsonaro.

A tese de Moro

Na apresentação que acompanha a coluna, Moro é descrito como juiz da Lava Jato, "a maior investigação contra a corrupção já realizada". No texto, ele acusou Gilmar Mendes e Dias Toffoli de emitir "ameaças de retaliação" contra o relator. Em 15 de abril, Gilmar pediu à PGR que investigasse o relator Alessandro Vieira, segundo a BBC News Brasil.

A linha não é só dele. Em 24 de março, o ex-deputado Deltan Dallagnol disse esperar que as investigações do caso Master fossem além do ponto a que chegou a Lava Jato, segundo o SBT News.

O que vem a seguir

Moro disputa o governo do Paraná no primeiro turno de 4 de outubro de 2026.

Referências

Texto informativo, com informações conferidas com as fontes citadas. Publicado originalmente em 22 de abril de 2026; revisado em outubro de 2026.

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