
Centrão: da Constituinte de 1987 ao Congresso de 2027
O Centrão nasceu em 4 de novembro de 1987, quando constituintes reuniram 280 assinaturas, o mínimo para propor mudança no regimento da Assembleia Nacional Constituinte. Seis dias depois, o projeto foi entregue à mesa com 319 nomes, apresentado pelo deputado Roberto Cardoso Alves (PMDB-SP), segundo o Atlas Histórico do Brasil, da FGV. Quase 39 anos depois, o bloco que herdou o apelido volta ao centro do debate a 12 dias do 2º turno de 25 de outubro.
Da Constituinte ao regimento: o que o grupo conseguiu em 1988
De acordo com o Atlas da FGV, o bloco reunia a ala conservadora do PMDB, o PFL, o PDS, o PTB, o PL e o PDC, com o governo Sarney simpático à articulação. A Resolução nº 3, de 5 de janeiro de 1988, passou a dar preferência automática às emendas coletivas assinadas pela maioria absoluta dos constituintes. Na prática, o grupo podia pôr seu texto à frente do projeto da Comissão de Sistematização, de viés mais progressista.
O nome também tem história. Segundo o Le Monde Diplomatique Brasil, parlamentares ligados ao regime militar preferiam não ser chamados de direita e adotaram a ideia de "centro". Era marca. Não descrição ideológica.
Como o sentido do termo mudou
Depois de 1988, os partidos deixaram de se apresentar com esse nome. A palavra virou rótulo aplicado de fora a legendas sem posição ideológica fixa que costumam se aproximar de quem ocupa o Executivo, em troca de cargos e verbas. O uso é crítico e descritivo ao mesmo tempo: o Centrão é menos um partido e mais um modo de se relacionar com o poder, e por isso a lista varia conforme quem a faz.
Quem integra o bloco depois das urnas de 2026
A Gazeta do Povo, em reportagem de 5 de outubro, trata como Centrão União Brasil, PP, PSD, Republicanos e MDB. União e PP disputaram juntos, na federação União Progressista, aprovada por unanimidade pelo TSE em 26 de março, segundo a Agência Brasil. Para a Câmara de 2027, a Gazeta do Povo informa 87 deputados para a federação, 43 para o PSD, 41 para o Republicanos e 36 para o MDB: 207 das 513 cadeiras. O PL, de Flávio Bolsonaro, elegeu 121. É a maior bancada. Ainda assim, ninguém tem maioria.
O cientista político Murilo Carvalho disse ao jornal que o PL "ganhou um estádio maior", mas ainda não tem jogadores suficientes para disputar todos os jogos sozinho. O vídeo do canal Código República, publicado em abril, tratava de como Renan Santos enfrentaria o Centrão sem comprar apoio. Renan terminou o 1º turno com 2,24% dos votos válidos, segundo o TSE, e a questão passou aos dois candidatos que seguem na disputa, Flávio Bolsonaro e Lula.
A pergunta que fica
Como o Centrão não vota em bloco por contrato, quem governar terá de negociar projeto a projeto. A pergunta útil ao leitor é concreta: com quais desses partidos cada candidato pretende governar, e o que aceita oferecer por esse apoio?
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