Tabela de pressão arterial 2025: valores normais

Em 1896, o médico italiano Scipione Riva-Rocci apresentou em Turim um aparelho que parecia simples: uma bolsa de borracha enrolada no braço, inflada até o pulso do punho sumir, ligada a uma coluna de mercúrio. A altura do mercúrio no momento em que o pulso voltava mostrava a força do sangue dentro da artéria. Pela primeira vez, a pressão podia ser medida sem cortar a pele de ninguém.
Nove anos depois, em São Petersburgo, o cirurgião russo Nikolai Korotkoff encostou um estetoscópio logo abaixo da braçadeira e percebeu que, ao esvaziá-la, surgiam batidas que depois desapareciam. O primeiro som marcava a pressão máxima; o silêncio, a mínima. Era 1905, e nascia o "doze por oito" que até hoje se ouve nos consultórios.
O curioso é que, mais de um século depois, o próprio 12 por 8 mudou de significado. Em setembro de 2025, a nova diretriz brasileira deixou de chamá-lo de normal. Então, o que diz hoje a tabela de pressão arterial, e como ler os seus números?
Resposta rápida: pela Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, a pressão é normal abaixo de 120/80 mmHg. De 120 a 139 na máxima ou de 80 a 89 na mínima já é pré-hipertensão. A partir de 140/90, confirmada em medidas repetidas, é hipertensão.
O que significam os dois números da pressão arterial?
O primeiro número é a pressão sistólica, a "máxima": a força do sangue nas artérias no instante em que o coração se contrai e bombeia. O segundo é a pressão diastólica, a "mínima": a pressão que fica nas artérias enquanto o coração relaxa entre uma batida e outra.
A unidade, mmHg, quer dizer milímetros de mercúrio. É herança direta do aparelho de Riva-Rocci: 120 mmHg é a pressão capaz de empurrar uma coluna de mercúrio 120 milímetros para cima. Os aparelhos digitais não usam mercúrio, mas continuam falando a mesma língua. Quando alguém diz "12 por 8", está arredondando 120/80.
Qual é a tabela de pressão arterial atual?
A classificação abaixo vale para adultos a partir de 18 anos e segue a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) com as sociedades brasileiras de Hipertensão (SBH) e de Nefrologia (SBN).
| Classificação | Sistólica (máxima) | Diastólica (mínima) | |
|---|---|---|---|
| Normal | menor que 120 | e | menor que 80 |
| Pré-hipertensão | 120 a 139 | e/ou | 80 a 89 |
| Hipertensão estágio 1 | 140 a 159 | e/ou | 90 a 99 |
| Hipertensão estágio 2 | 160 a 179 | e/ou | 100 a 109 |
| Hipertensão estágio 3 | 180 ou mais | e/ou | 110 ou mais |
Valores em mmHg, medidos no consultório. Quando a máxima e a mínima caem em faixas diferentes, vale a mais alta.
Um exemplo: 135/78 é pré-hipertensão, porque a máxima passou de 120, mesmo com a mínima abaixo de 80. E 128/92 entra no estágio 1, puxado pela mínima.
Por que 12 por 8 deixou de ser considerado normal?
Estudos que acompanharam milhares de pessoas por anos mostraram que o risco de infarto, AVC e doença nos rins começa a subir antes dos 140/90. Quem vive entre 120 e 139 de máxima tem mais chance de chegar à hipertensão e de ter problemas no coração do que quem fica abaixo de 120.
Por isso a diretriz de 2025 juntou as antigas faixas "normal" e "pré-hipertensão" numa só, que começa em 120/80. A ideia não é assustar nem transformar todo mundo em doente. Pré-hipertensão não é diagnóstico de hipertensão: é um aviso para cuidar mais cedo dos hábitos e medir a pressão com mais regularidade.
Uma medida alta já quer dizer pressão alta?
Não. A pressão muda ao longo do dia com o sono, o estresse, o café, o cigarro, o exercício e até com a conversa durante a medida. Muita gente tem a pressão mais alta só no consultório, o chamado efeito do avental branco. O contrário também acontece: pressão normal no consultório e alta em casa, a hipertensão mascarada.
Por isso o diagnóstico pede pressão de 140/90 ou mais em pelo menos duas consultas diferentes, ou confirmação fora do consultório. Para isso o médico pode pedir a MAPA, um aparelho que mede a pressão de tempos em tempos durante 24 horas, ou a MRPA, uma série de medidas feitas em casa seguindo um roteiro.
Se você mede em casa, alguns cuidados deixam o número mais confiável:
- use aparelho de braço validado, com braçadeira do tamanho certo para o seu braço;
- esvazie a bexiga, fique sentado e em silêncio por cinco minutos antes, com as costas apoiadas e os pés no chão;
- deixe o braço apoiado na altura do coração e evite café, cigarro e exercício na meia hora anterior;
- faça duas ou três medidas com um ou dois minutos de intervalo e anote todas.
Os aparelhos de punho e os aplicativos de celular costumam errar mais; vale levar o seu aparelho à consulta para conferir com o do médico.
Quando procurar um médico
Se as suas medidas ficam com frequência a partir de 120/80, marque uma consulta com o clínico geral ou o cardiologista para avaliar o risco e definir com que frequência medir. Medidas repetidas a partir de 140/90 pedem avaliação sem demora, porque só o médico pode confirmar o diagnóstico e decidir o tratamento.
Procure um pronto-socorro imediatamente se a pressão estiver muito alta (perto de 180/110 ou mais) junto com dor no peito, falta de ar, dor de cabeça forte e repentina, alteração na visão, fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, ou dificuldade para falar. Esses sinais podem indicar uma emergência hipertensiva. Sem sintomas, um número alto isolado deve ser medido de novo com calma e levado ao seu médico.
Conclusão: o número é o mesmo, a leitura mudou
Riva-Rocci e Korotkoff deram aos médicos uma forma de ouvir a pressão do sangue. O que mudou de lá para cá foi a capacidade de saber o que aqueles números anunciam. A tabela de 2025 é mais rigorosa porque a ciência viu que o risco aparece mais cedo do que se imaginava.
O recado é prático: conheça os seus números, meça direito e não se baseie numa medida só. Se ela passar de 120/80, é hora de conversar com o médico, com calma e com tempo para cuidar.
Perguntas frequentes
Pressão 13 por 8 é normal?
Pela diretriz de 2025, 130/80 está na faixa de pré-hipertensão. Não é hipertensão, mas pede atenção aos hábitos e acompanhamento.
Pressão baixa tem tabela?
Não há um limite único de pressão baixa. Ela preocupa quando vem com tontura, desmaio ou mal-estar; nesses casos, procure um médico.
A tabela é a mesma para idosos?
A classificação é a mesma para todos os adultos. O que pode mudar, caso a caso, é a meta de tratamento que o médico define.
Criança usa essa tabela?
Não. Em crianças e adolescentes, a pressão é avaliada por tabelas de acordo com idade, sexo e altura.
Referências
- Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025. Arq Bras Cardiol, 2025;122(9):e20250624. abccardiol.org (PDF)
- Barroso WKS et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 2020. Arq Bras Cardiol, 2021. abccardiol.org
- Ministério da Saúde. Hipertensão (pressão alta). gov.br/saude
- Booth J. A short history of blood pressure measurement. Proceedings of the Royal Society of Medicine, 1977. PubMed
Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para avaliar o seu caso, converse com um médico, de preferência um especialista na área.
Informações conferidas com as fontes citadas acima · Última revisão: outubro de 2026.
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