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Artigo · Notícias · 3 min de leitura

Atenção: fumar pode levar a câncer de bexiga e a infertilidade

RaiRaisLife6 de setembro de 2019 · atualizado em 18 de setembro de 2019
Atenção:  fumar pode levar a câncer de bexiga e a infertilidade

De acordo com pesquisas, o cigarro é apontado como campeão no fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão. Mas, não para por aí... o hábito de fumar pode levar a outras complicações que são pouco conhecidas e discutidas, como o câncer de bexiga, a infertilidade e, em casos de gestação, complicações para bebês.

Segundo uma pesquisa do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) realizada em 2017, o cigarro é o responsável por 65% dos casos de câncer de bexiga em homens e 25% em mulheres. O estudo foi realizado nos 12 meses anteriores com pessoas atendidas pela equipe de urologia do instituto.

O urologista e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (Sobracil-RJ), Maurício Rubinstein, afirma que o cigarro é um fator de risco muito forte, dentro da urologia, para o desenvolvimento de câncer de bexiga e de rim: "São raros os pacientes com diagnóstico de câncer de bexiga que não fumaram durante a vida".
Isso ocorre porque as substâncias químicas da fumaça do cigarro são absorvidas pelos pulmões, entram na corrente sanguínea e são filtradas pelos rins. Esses órgãos têm um importante papel de eliminar as impurezas do organismo. Uma vez na urina, esses compostos do tabaco podem danificar as células da bexiga e contribuir para o desenvolvimento do câncer em longo prazo. 
Atenção:  fumar pode levar a câncer de bexiga e a infertilidade

Fertilidade e risco ao bebê

De acordo com Maria Cecília Erthal, especialista em reprodução humana do Vida - Centro de Fertilidade, o hábito de fumar durante a gestação pode aumentar o risco de aborto e de parto prematuro: "Além disso, o recém-nascido de uma fumante fica mais irritadiço devido à crise de abstinência da nicotina que era absorvida por meio da placenta", explica ela.
O ginecologista Joji Ueno, em entrevista, afirma que, assim como o alcoolismo, fumar pode perturbar a ovulação, sendo um risco para a infertilidade feminina. Já o urologista Silvio Pires afirmou que, como o cigarro altera a vascularização, isso pode interferir nos órgãos terminais, como os testículos, mas as complicações são secundárias, não diretas. 
O oncologista Fernando Santini, membro do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, explica que a ação do cigarro ocorre de forma simples, porém rápida: "Assim que se coloca o cigarro na boca e aspira a fumaça, ele chega nos pulmões. De lá, a nicotina passa rapidamente para a circulação sanguínea, espalhando-se pelo corpo inteiro até chegar ao cérebro, onde exerce sua ação aditiva. Na verdade, ela chega mais depressa ao cérebro quando aspirada do que quando injetada na veia", diz.
Atenção:  fumar pode levar a câncer de bexiga e a infertilidade
Interromper esse hábito é a melhor forma de prevenir todos esses impactos negativos. Entretanto, só essa recomendação não é suficiente, já que parar de fumar depende da vontade da pessoa que fuma e devido ainda à essa prática envolver dependência à nicotina, uma droga que atua no sistema nervoso central.
Para quem resolve buscar ajuda, o SUS (Sistema Único de Saúde) disponibiliza grupos de apoio e tratamento gratuito para os dependentes. Nas Unidades Básicas de Saúde gerenciadas pelo Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), em São Paulo, por exemplo, há uma abordagem cognitiva e comportamental.
O foco do trabalho é desenvolver as habilidades necessárias para enfrentar situações de recaídas. São três meses de tratamento, passando uma avaliações clínica, de grau de motivação, de nível de dependência, comorbidades, e existência de indicação de apoio medicamentoso. 
Políticas públicas como essa podem ser responsáveis pela queda no índice de fumantes no Brasil.  De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico do Ministério da Saúde (Vigitel), o porcentual de brasileiros que se declaram fumantes voltou a cair no ano passado, atingindo o índice de 9,3%, contra 10,1% em 2017.
"A abordagem cognitiva e comportamental desenvolvida pelo Cejam é um modelo funcional, pois sua intervenção está focada não somente em ajudar na interrupção do ato de fumar, como também na mudança e desconstrução do padrão comportamental vinculado ao vício. As atividades têm a manutenção da abstinência como foco, e isso é um grande diferencial", afirma Beatriz Rabello, médica da família da organização.
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Informações - Portal Bonde com Agência Estado 
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