
Favela, crime e voto: a segurança na disputa Flávio x Lula
A segurança pública divide Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) a doze dias do segundo turno, em 25 de outubro. Os dois apresentam planos opostos para enfrentar facções e retomar territórios dominados pelo crime. A pergunta de fundo, quem manda no território, já aparecia em abril num vídeo do canal Código República que questionava se o funk justifica o poder do crime na favela e ligava o tema a Renan Santos, então pré-candidato do Missão.
Cultura e controle armado
O debate costuma misturar duas coisas distintas: o gosto musical de milhões de moradores e o controle armado de um território por uma facção. A primeira é cultura. A segunda é um problema de Estado, e foi nele que a campanha se concentrou.
Em entrevista ao ND Mais em novembro de 2025, Renan Santos disse que as favelas não são "comunidades lindas", mas "tragédias urbanas", e que queria transformá-las em bairros e declarar guerra ao crime organizado. Foi uma das linhas mais duras entre os candidatos.
O que as urnas mostraram
No primeiro turno, em 4 de outubro, Renan ficou em quarto lugar, com 2,24% dos votos válidos (2.675.887 votos), segundo o TSE. A disputa ficou com Flávio Bolsonaro, que teve 47,03%, e Lula, com 45,16%, conforme a apuração divulgada pela CartaCapital (5/10). Em declaração ao jornal O Povo (9/10), Renan chamou o próprio desempenho de "muito ruim" e não declarou apoio a nenhum dos dois no segundo turno.
O discurso mais radical sobre favelas e facções não se converteu em voto na mesma proporção em que rendeu manchete. Os eleitores que priorizam o tema se distribuíram entre os dois finalistas.
As propostas para o segundo turno
Segundo a Agência Brasil (9/10), Flávio quer classificar CV, PCC e milícias como organizações narcoterroristas, criar o sistema nacional de reconhecimento facial Muralha Brasileira e defende abater criminosos armados com fuzis. Lula propõe asfixiar financeiramente as facções, combater o tráfico de armas, retomar territórios com urbanização de favelas e criar o Ministério da Segurança Pública, caso a PEC da Segurança seja aprovada.
As duas propostas respondem à mesma preocupação por caminhos diferentes. Uma aposta mais na força e na tecnologia de vigilância. A outra, em recursos, controle de armas e presença do Estado no bairro.
Reocupar uma rua é uma operação pontual. Manter escola, posto de saúde e emprego no local é o que define se o crime volta. Como cada plano pretende sustentar essa segunda etapa é o ponto em aberto da disputa.
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