
Vencer a urna não garante maioria: o Congresso de 2027
Nenhum partido terá maioria na Câmara nem no Senado a partir de 2027, e quem vencer a eleição presidencial de 25 de outubro, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), terá de negociar para aprovar projetos. Em 29 de abril, o governo Lula precisava de 41 votos no Senado para aprovar a indicação de Jorge Messias ao Supremo e teve 34, segundo o Senado Notícias. O episódio ilustra o tema de um vídeo do canal Código República daquela semana, intitulado "Vitória Eleitoral Não Garante Governabilidade".
O Congresso que as urnas desenharam em outubro
No 1º turno, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo o TSE, divulgado pela CartaCapital (5/10). A diferença de 1,87 ponto percentual indica um país dividido. O Legislativo saiu com desenho próprio.
De acordo com a Rádio Senado (5/10), o PL elegeu 121 deputados federais, a maior bancada da Câmara, e o PT, 70. No Senado, o PL elegeu 19 dos 54 senadores em disputa e chegará a 28 cadeiras, a maior bancada da Casa, mas longe das 41 que formam maioria entre 81, segundo a Agência Brasil. O MDB terá 8 senadores e o PT, 9.
O que os últimos mandatos mostraram
Em 2018, o PSL de Jair Bolsonaro elegeu 52 deputados federais e virou a segunda maior bancada da Câmara, atrás só do PT, que fez 56, segundo o Poder360. A bancada, porém, não ficou unida: o Poder360 registrou a debandada quando Bolsonaro deixou o partido, com deputados que somavam a maior parte dos votos do PSL prontos para sair.
Em 2022, foi diferente. Lula venceu com uma aliança ampla, mas, segundo levantamento do Poder360 divulgado em julho de 2026, o terceiro mandato acumulava ao menos 23 derrotas no Congresso: seis em 2023, cinco em 2024, oito em 2025 e quatro em 2026. Entre elas, a derrubada do decreto do IOF por 383 a 98 na Câmara e a rejeição de Messias. O próprio levantamento ressalva que não há metodologia oficial para contar derrotas.
O que isso significa para 2027
Seja quem for o presidente a tomar posse em janeiro de 2027, precisará do apoio de outras legendas para aprovar projetos. A história recente, nos dois exemplos acima, mostra que esse apoio se negocia voto a voto.
Até o 2º turno, cabe observar quais promessas de cada campanha dependem de aprovação do Congresso e quantos votos elas exigiriam para passar, além de com quais partidos cada candidato pretende governar.
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